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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Cortando as unhas dos bebês

Por Carolina Mouta
Matéria para o site Bolsa de Bebê *
Imagem: Dreamstime

Toda vez é a mesma coisa: seu filho tem garras de gavião e não te deixa cortar. A pirraça, normal a partir de um ano de idade, não dá trégua e o chororô começa quando, desejando ser um polvo, você o envolve com braços e pernas na tentativa de fazê-lo parar de se debater e, ao mesmo tempo, alcançar as mãos e conseguir aparar as unhas do filhote. Ufa! Praticamente uma operação de guerra. Mas, de acordo com especialistas não é necessário nada disso. Cortar as unhas pode ser simples. Quer ver?

Quando nascem, as crianças têm a unha mais mole, semelhante a uma pele endurecida, por isso são necessários alguns cuidados para prevenir inflamações e ferimentos. Para começar, você precisa criar o melhor momento. Tem que ser uma hora em que tudo esteja muito tranquilo. "Isso varia muito de criança para criança. Pode ser durante o sono pesado, quando está mamando ou distraída com alguma coisa", ensina a podóloga Mildre Buorlo, que orienta os pais a não insistirem no caso da criança abrir o berreiro. "Nesse caso, tente cortar por etapas. Assim ela acaba acostumando sem deixar traumas", diz.

Momento criado, estabeleça uma rotina. "Corte sempre no mesmo período no dia, associe a algo que a criança goste muito de fazer como uma brincadeira, um livro, um desenho. Dessa forma, toda vez que a mãe usar um desses métodos, a criança irá associá-lo ao corte de unha", orienta Mildre.

É necessário utilizar o equipamento correto e que seja só de uso da criança. Prefira tesourinhas pequenas e de bico redondo. "O famoso cortador de unha não é muito aconselhável para bebês, pois a unha é tão pequenina que o cortador pode acabar machucando o dedo da criança", avisa a podóloga. Mas tudo vai da adaptação da mamãe. Já existem no mercado alguns cortadores com lupa, que facilitam a visualização. E nada de cortar a unha muito curta ou arrancar pedacinhos ou peles. "Corte sempre em linha reta e não deixe muito rente. Nunca cutuque as laterais, pois não há necessidade", aconselha Mildre.

Normalmente, já nos primeiros dias de vida, o bebezinho deve ter as unhas cortadas. "A criança já nasce com a unha comprida. Às vezes o primeiro corte é feito dentro da própria maternidade pelas enfermeiras", observa a especialista. No entanto, se a mamãe fizer questão de realizar a façanha, a enfermeira Mariana de Simone aconselha: "Coloque uma luvinha na mãozinha do bebê até que esteja realmente segura para desempenhar essa função. A unha do bebê parece um papelzinho e fica bem grudadinha na pele do dedinho e, com isto, o risco de machucar a criança é grande", ressalta. As unhas podem ser cortadas a qualquer momento em que estiverem compridas. No geral, as unhas das mãos crescem mais rápido e são cortadas toda semana. Já as dos pés demoram cerca de quinze dias para crescer.

Quando detectam algum problema nas unhas dos bebês as mães costumam levá-los ao pediatra, que encaminha a criança para tratamento. O importante é que, ao menor sinal de inflamação, a mamãe procure atendimento profissional. "Se os dedinhos estiverem com inchaço, vermelhidão ou com infecção é aconselhável não mexer", aconselha a podóloga Yumi Ikeda.

Unha Encravada
Muitos bebês já nascem com unhas dos pés encravadas e, se não for realizado um corte correto, sofrerão sempre com o problema. Isso acontece porque um pedacinho de unha incrusta na pele aí já viu... “Isso acontece porque a pele forma uma barreira ao seu crescimento e, como a unha não para de crescer e é mais dura, ela penetra na pele podendo causar dor e ate inflamação", esclarece Mariana de Simone.

Quando não trazem a unha encravada do útero, um momento bastante propício para o aparecimento delas é quando os bebês começam a engatinhar. Aí é atrito pra cá, atrito pra lá: lascam, quebram e ferem as unhas. Outras estripulias do bebê também podem ocasionar o problema. "Chutes no berço e carrinhos podem gerar pequenos traumas que venham a se transformar em uma unha encravada", alerta Yumi Ikeda.

Mamães podem ter sua parcela de culpa na história: macacões com pezinho ocasionam traumas e meias e sapatos apertados costumam ser vilões. A genética também pode influenciar. "Nas unhas da mão é muito mais difícil acontecer. Quando acontece pode ser por problema de má formação, corte incorreto ou acidentes", diz Mildre Buorlo.

O que fazer se o pequeno está com o esse "probleminha"? Primeiro, é necessário identificar o porquê daquela unha encravada. Observe se o sapatinho está apertado, se o macacão com pé está pequeno e fazendo pressão nos dedos, se as meias têm costuras grossas ou se o corte está incorreto. Massagear os dedinhos utilizando um creme ou óleo pode ser uma excelente opção. "Isso dá um alívio na pressão do dedo sobre a unha, fazendo com que aquele momento seja muito prazeroso para a criança", ensina Mildre, que alerta: "A massagem deve ser feita com cuidado, bem de leve, com movimentos circulatórios ou escorregando os dedos para cima e para baixo. Nunca massageie com força em cima da unha pois, como a criança está em fase de crescimento, pode ser que afete a formação da mesma", finaliza.

Passo a passo
Não tem como fugir! As mamães precisam se preparar para o corte das unhas dos seus filhotes. A dica é manter a calma e seguir conselhos de quem entende do assunto.
- Esteja segura para este momento, fique tranquila, não deixe que a criança perceba que você é novata neste caso;
- Ache o momento da criança, cada criança tem o seu;
- Procure fazer isto durante o dia e em local de muita luminosidade;
- Ache um lugar confortável, pegue apetrechos para distrair a criança;
- Lave bem as suas mãos;
- Tenha um cortador ou tesourinha de ponta arredondada exclusivo para esta função. Os acessórios para cotar as unhas deverão estar bem limpinhos;
- Segure bem firme o pezinho ou a mãozinha e em seguida, pegue com firmeza o dedinho da criança separando-o dos demais;
- Concentre-se em um dedo por vez;
- Empurre a ponta do dedo para baixo deixando a unha (parte branquinha) mais acessível;
- Corte sempre reto, sem mexer nas laterais. NUNCA cutuque os cantinhos das unhas;
- Cuidado para não cortar muito, pois o local incomodará a criança;
- Deixe o dedão sempre por último. Pode ser que seja mais complicado;
- Se algum acidente acontecer, lave imediatamente o dedinho da criança com água corrente em abundancia e sabão.

* O texto pode ter sofrido modificações

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Papinhas com sabor de Brasil

Por Carolina Mouta
Matéria para o blog O Baú da Criança
Imagem: Dreamstime

Cada região brasileira tem um alimento mais utilizado na culinária, ou mesmo um prato que é a cara daquele pedacinho do país. E a gente sabe que os ingredientes próprios de cada região são mais fresquinhos, saborosos e baratos. Com eles é possível preparar pratos típicos incríveis. E porque as crianças devem ficar de fora dessa folia gastronômica? Desde pequenos dá para colocá-los frente a frente com as delícias locais e ensiná-los a ter uma alimentação que privilegie frutas, legumes e verduras.

A proposta das especialistas consultadas é adaptar essas gostosuras - quando necessário - e inclui-las nas refeições da garotada. Há diversas sugestões para incrementar o almoço, o jantar, o lanche... E, se você não conhece algum ingrediente, nada de cara feia: aprenda a provar os sabores do Brasil. Assim o seu filhote tem o bom exemplo e come sem fazer careta!

Do Centro Oeste vem um prato chamado cozidão. E os pequeninos podem se deliciar com uma versão que leva cenoura e salsinha, fontes de pró-vitamina A e ferro. "Colocamos todos os vegetais do cozidão mesmo, pois é viável. O cuidado é controlar sal e óleo e, quando necessário, cozinhar por mais tempo", analisa a nutricionista Raquel Botelho.

E é também do coração do Brasil que chega uma receita bem gostosa para o lanche: bolo de jenipapo com passas. Típica da região, a fruta é fonte de proteínas, rica em vitamina C, ferro e fibra.

A região Norte é um caso à parte. Rica em sabores exóticos, a culinária local abusa dos ingredientes típicos e costuma se render às frutas, boas fontes de vitaminas, minerais e fibras. "A papinha de banana pacovã, é feita com um tipo de banana que é popularmente chamada de banana comprida ou da terra. Ela apresenta tamanho maior do que as bananas comuns e deve estar com ponto de maturação bem avançado. É um fruto muito apreciado na preparação de doces e salgados", explica a nutricionista Sônia Oliveira.

O peixe e papa de macaxeira com pupunha fazem uma excelente combinação. Aliás, a culinária nortista aposta nos pratos à base de peixes. "Esta preparação contém proteína que é importante para crescimento da criança e formação de novas células, evita a anemia, contém carboidrato, que fornece energia e contribui no ganho de peso, é rica em lipídeos que são gorduras responsáveis também por fornecer energia ao organismo", explica a especialista.

E nutrientes não faltam. Os frutos da pupunheira constituem um alimento essencialmente energético, mas contêm quantidades pequenas de proteína, óleo, caroteno, vitaminas B, C e ferro. "O preparo contém vitamina A, que é importante para a pele, crescimento, para a manutenção da visão normal; vitamina C, importante para melhorar a imunidade e para ajudar na absorção do ferro e na cicatrização; zinco, que é importante para aumentar o paladar e apetite; cálcio, fundamental para os ossos e dentes e fibra alimentar, necessária para o bom funcionamento do intestino", diz.

No Sul é muito comum o purê de moranga, que as crianças comem até se lambuzarem por completo. Essa espécie de abóbora é bastante apreciada nessa região do Brasil. Nas cidades do interior qualquer pedacinho de terra vira uma plantação. Então, porque não aproveitar e inseri-la no cardápio do seu filhote? "A moranga é fonte de vitamina A, vitaminas do complexo B, cálcio e fósforo", ressalta a nutricionista Ana Paula Dexheimer.

E, para a sobremesa de quem raspar o prato, outra iguaria local: o sagu. A receita original do doce leva vinho, cravo-da-índia, canela e açúcar. Feito a partir da fécula da mandioca, também ricamente cultivada entre o Paraná e o Rio Grande do Sul, as pequenas bolinhas podem ganhar uma infinidade de sabores, como o sagu de laranja. Segundo Ana Paula, além de ser uma gostosura, o sagu é rico em vitamina B3, que reduz dermatites e atua na digestão, vitamina C, cálcio, ferro, fósforo, potássio e proteínas. "Pode guardar na geladeira. A família inteira vai se deliciar", aposta.

A região Sudeste é responsável por um dos pratos mais conhecidos no território nacional e também no exterior. E é ela quem serve de inspiração para a receita da feijoadinha, selecionada pela nutricionista Karen Levy Delmaschio. O feijão preto é excelente para as crianças: possui ácido fólico, uma vitamina importante na prevenção de anemia, pois atua na renovação dos glóbulos vermelhos do sangue, no crescimento, no sono e na memória.

E não é só por isso. "No feijão estão presentes triptofano, um aminoácido que atua na sensação do bem-estar, no sono, no crescimento e na produção da insulina; o manganês, mineral que ajuda o metabolismo ósseo; o magnésio, mineral que reduz a hiperatividade, a insônia, ajuda na memória, no aumento do apetite e na evacuação; vitamina B1 (tiamina), que reduz a hiperatividade, a dificuldade de aprendizado, a inapetência e o ferro, mineral que atua na inapetência, reduz o aparecimento de estomatite e atua na formação de glóbulos vermelhos do sangue", lista a especialista.

Por si só o feijão já é campeão para a saúde. Mas, a composição tem outra integrante de peso: a couve. Rica em fibras e vitaminas A e C, a verdura tem ação antioxidante, aumenta as defesas do organismo contra infecções, atua na absorção do ferro, na cicatrização de feridas, na hiperatividade, reduz a inapetência, previne o sangramento das gengivas; é bom para os olhos, para o crescimento, ajuda na contração dos músculos, transmissão de impulsos nervosos, coagulação sanguínea, ajuda no sono e na memória. Ufa!

Uma deliciosa papinha de frutas tropicais também cai super bem na região, uma das mais quentes do Brasil. Refrescante, a combinação tem gosto de quero mais e faz um bem enorme. "A banana ouro tem potássio, importante para a contração muscular e vitamina B6, excelente para o bom funcionamento dos sistemas nervoso e imunológico, atuando na produção de glóbulos vermelhos do sangue. O mamão é rico em bromelina, enzima que ajuda na redução de muco e inflamação; além de ácido fólico, vitamina importante na prevenção de anemia, pois ajuda a renovar os glóbulos vermelhos do sangue. A pitanga possui vitamina A, nutriente essencial para a visão, crescimento, desenvolvimento dos ossos e dentes e vitamina C", esclarece Karen.

E quem não aprecia a culinária do Nordeste? É tanta coisa boa que nem dá para contar! A fruta-pão é bem conhecida por lá e, muitas vezes, é servida no café da manhã de forma simples: cozida e com manteiga. Bastante versátil, a polpa branca pode ser consumida in natura ou no preparo de pratos doces e salgados. As crianças poderão prová-la de forma bastante nutritiva: a sopa de fruta-pão. De acordo com a nutricionista Marcella Azevedo, a belezura é rica em calorias, carboidratos, água, vitaminas B1, B2 e C, cálcio, fósforo, ferro e tem baixo teor de gorduras.

Para arrematar a lista e refrescar, que tal um suco de umbu? A Umbuzada é azedinha, mas a garotada vai adorar. O fruto tem bastante vitaminas A, C, B1, B2 e minerais como cálcio, fósforo, potássio e ferro. “A fruta tem ação energética, ajuda a eliminar toxinas e auxilia contra a desnutrição”, finaliza a nutricionista.

RECEITAS

CENTRO OESTE

Receitas da nutricionista Raquel Botelho

Cozidão
3 colheres de sopa de carne (músculo)
3 rodelas de banana da terra
1 colher de sopa de cenoura
3 colheres de sopa de mandioca
3 colheres de sopa de batata doce
1 colher de chá de cheiro verde
3 colheres de sopa de batata inglesa
1 colher de sopa de repolho branco
1 colher de chá nivelada de alho
1 colher de chá de cebola1 colher de chá de óleo
1 colher de café nivelada de sal 2 xícaras e meia de chá de água

Em uma panela dourar a carne com o alho. Cobrir a carne com água e adicionar o sal, deixando cozinhar até que a carne fique macia (pode ser utilizada a panela de pressão). Enquanto a carne cozinha, descascar e cortar em cubos a mandioca, cenoura, batatas, batata doce, repolho, e cebola. Adicionar cada uma destas hortaliças, na ordem citada, com intervalos de cinco minutos de uma para outra. Deixar cozinhar e por ultimo adicionar a banana cortada em cubos, finalizando a preparação salpicando o cheiro verde picado.

Bolo de jenipapo e passas
2 xícaras de farinha de trigo
2 xícaras de açúcar
2 ovos
1 xícara de manteiga
1 unidade média de jenipapo
1 colher de chá de fermento químico
3 colheres de sopa de uva passa
1 pitada de canela em pó
1 xícara de água

Bater na batedeira o açúcar com a manteiga derretida. Acrescentar as gemas e bater. Adicionar o suco de jenipapo (jenipapo sem casca e sem semente batido no liquidificador com a água) e homogeneizar a massa. Juntar lentamente à massa a farinha de trigo peneirada e o fermento químico e misturar até que a massa esteja lisa. Separadamente bater as claras em neve e verter a massa de bolo sobre a clara em neve. Misturar com uma colher de plástico ou de metal levemente, e acrescentar as uvas passas e a canela em pó, mexendo até que a massa esteja homogênea. Colocar em uma forma de bolo (com furo) com 30 cm de diâmetro, previamente untada com manteiga e farinha, e assar em forno a 180ºC por 35 min.

REGIÃO NORTE
Receitas da nutricionista Sônia Oliveira

Peixe e papa de macaxeira com pupunha
1 colher de sopa de pupunha picada
1 pedaço pequeno de macaxeira descascada
1 colher de sopa de cebola picada
1 colher de sobremesa cheia de cheiro-verde picado
1 pedaço pequeno de peixe
1 colher de café de sal
1/3 de copo de requeijão de água

Em uma panela pequena, colocar a pupunha picadinha, a macaxeira cortada em cubos pequenos, o sal, a cebola, o cheiro-verde e a água. Levar ao fogo baixo e cozinhar por 15 minutos. Escorrer a água. Amassar com garfo e servir com o peixe cozido desfiado.

Papa de banana pacovã
1 pedaço de banana pacovã

Amassar com garfo e oferecer com a colher.

REGIÃO SUL
Receitas da nutricionista Ana Paula Dexheimer

Purê de Moranga
1/2 unidade de moranga
2 batatas
1 pitada de sal

Cozinhar até os ingredientes ficarem macios. Liquidificar e servir acompanhado de carne moída ou frango desfiado.

Sagu de laranja
1 xícara de sagu
2 copos de suco de laranja
4 colheres (sopa) de açúcar

Deixar o sagu de molho em água por 40 minutos. Aquecer o suco de laranja. Acrescentar o sagu e o açúcar. Cozinhar até as bolinhas ficarem transparentes. Antes de apagar o fogo, acrescentar 4 cravos da índia. Servir morninho ou frio.

REGIÃO SUDESTE
Receitas da nutricionista Karen Levy Delmaschio

Feijoadinha
1 xícara de feijão preto
2 folhas de couve
1 unidade pequena de mandioca
1 posta pequena de Dourado ou Cação
2 folhas de louro

Cozinhe o feijão e a mandioca na água com as folhas de louro. Assim que estiver al dente, acrescente o peixe e, por último, as folhas de couve picadas. Quando estiver pronto, retire as folhas de louro e amasse ou bata no liquidificador.

Papinha de frutas tropicais
1 unidade de banana ouro
1 fatia fina e pequena de mamão
4 unidades sem caroço de pitanga

Pique a banana e o mamão e acrescente a pitanga. Amasse bem com um garfo. Não é necessário colocar açúcar pois a criança deverá sentir o gosto doce das frutas.

REGIÃO NORDESTE
Receitas da nutricionista Marcella Azevedo

Sopa de fruta-pão
500 g de fruta-pão
7 xícaras de água
2 xícaras de leite fervido
1 cebola grande
Manteiga e sal

Ferva a fruta-pão até que fique a ponto de passar pela peneira. Feito isso, junte o leite e os demais ingredientes e deixe ferver.

Umbuzada
1 porção de umbus bem maduros
Água para cozimento
Leite e açúcar a gosto

Lave os umbus e leve-os ao fogo para cozinhar por alguns minutos para amolecer a polpa. Retire do fogo e escorra a água, deixe esfriar. Em seguida, despolpe os frutos com as mãos ou com uma colher. Passe a polpa pela peneira grossa ou bata no liquidificador, acrescentando leite e açúcar. Misture até dar consistência de um suco cremoso. Sirva gelado.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Proteja os bebês com vacinação

Por Carolina Mouta
Matéria para o blog O Baú da Criança
Imagem: Dreamstime



Você, mãe zelosa, fica feliz quando vê preenchido todo o esquema de vacinação do seu bebê. Mas, o que muitas vezes não sabe é que ele não está totalmente protegido. Como assim? - você se pergunta. A resposta é que não adianta imunizar só os pequenos. O espirro, a tosse e, até mesmo, os momentos de carinho dos jovens e adultos da própria família podem oferecer riscos à saúde do bebê. E a única forma de prevenir a doença é a vacinação. Por isso, gente grande também tem que estar com a carteirinha em dia.

Segundo a infectologista do Sabinvacinas, Ana Rosa dos Santos, os recém-nascidos possuem uma janela de vulnerabilidade que as vacinas atuais são incapazes de fechar. “Antes da primeira dose da vacina Tríplice Bacteriana ser efetuada nos primeiros dois meses de vida, o bebê está totalmente exposto à contaminação. Até os 12 meses a criança não está completamente protegida”, explica.

E os números comprovam: mais de 80% dos casos afetaram bebês com menos de seis meses. Por isso o melhor caminho é que todos os adultos que convivem com a criança sejam imunizados. As estatísticas da Sociedade Brasileira de Imunizações dão conta de que cerca de dois terços das infecções ocorrem dentro da família, sendo 50% das vezes contraído da mãe, 20% do pai e 15% de irmãos.


Só no primeiro semestre de 2011, foram registrados 593 casos de coqueluche, número superior às 588 ocorrências observadas em 2010. Os dados são do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. De acordo com o Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo pais e irmãos mais velhos são responsáveis por 67% da transmissão da doença para o recém-nascido. A coqueluche é uma doença altamente infecciosa transmitida pelo ar e provoca tosses contínuas. Um adulto suporta seus efeitos, mas a doença pode ser letal para bebês.


Além da vacina Tríplice Bacteriana, recentemente, foi lançada no Brasil a Adacel Quadra, dose de reforço contra a coqueluche, tétano, difteria e poliomielite inativada (tipos I, II e III). A nova vacina foi desenvolvida para garantir a imunização de adolescentes e adultos, com o objetivo de proteger recém-nascidos da coqueluche. A estratégia, chamada de “Cocoon” (casulo, em inglês), recomenda a vacinação de reforço nas pessoas que têm contato com os bebês.


Mesmo que os adolescentes e adultos tenham sido imunizados quando criança, é preciso renovar a dose pois a durabilidade do efeito é de dez anos. Para a doutora Ana Rosa dos Santos, esse reforço exerce papel fundamental na prevenção da coqueluche. “Além de se protegerem, eles interrompem a cadeia de transmissão da doença”, afirma a infectologista.


A vacina Adacel Quadra pode ser tomada a partir dos três anos de idade, como reforço do esquema primário de imunização, e é recomendada para mães (antes da gravidez ou após o parto), pais e outros membros da família, profissionais da saúde e babás, além de adultos que desejam reforçar sua imunidade contra coqueluche ou poliomielite inativada em decorrência de viagens a países com risco de contaminação.


Muitas vacinas para adultos não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) e é necessário dirigir-se à uma clínica especializada para receber as doses e pagar por elas. Mas vale à pena. É um carinho que toda criança merece. Então, adultos, o que estão esperando? Uma picadinha não vai doer!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Chupeta ou dedo?

Por Carolina Mouta
Matéria para o blog O Baú da Criança
Imagem: Dreamstime

A maternidade traz consigo muitas dúvidas. As mamães de primeira viagem costumam ficar perdidas entre tantas questões e pitacos externos. A utilização da chupeta é um desses temas polêmicos, que sempre surgem na rodinha de discussão da família. Uns dizem que ela ajuda a tranquilizar a criança. Outros, que é prejudicial ao desenvolvimento. Mas, e quando o bebê a substitui pelo gostoso dedinho? Nesse caso, a emenda pode sair pior que o soneto.

Os especialistas dizem que a grande questão não é o hábito em si, mas a falta de limite para ele. A chupeta pode ser usada para dormir, como um ingrediente a mais no ritual do sono. Nesse caso, ao completar um ano de vida a criança deve ser incentivada a substitui-la por um amiguinho como um bichinho de pelúcia, um paninho... Já o dedo é mais complicado, não é? Ele está ali, disponível 24 horas por dia. Sem falar que na batalha entre o dedo e a chupeta, ela leva vantagem.

É unânime o que dizem os especialistas: o dedo é bem mais prejudicial, pois não tem o formato anatômico e age com muito mais força, fazendo pressão e causando maior deformidade. Como o hábito de chupar o dedo também é mais difícil de ser removido, não vai ter jeito. "Se o bebê começar a chupar o dedo a chupeta deve ser oferecida a fim de evitar o início do hábito", pontua a dentista Liana Carneiro Costa.

A chupeta

A verdade é que o uso da chupeta não é natural, como muita gente pode pensar. Segundo o Dr. Hamilton Roblelo, pediatra do Hospital São Camilo, as crianças não conhecem a chupeta, ela é apresentada pelos pais e avós. "Isso vem acompanhado sempre com os dizeres de que a chupeta acalma a criança. O que acalma é um bom ambiente familiar, com pais tranquilos", ressalta.

De acordo com Cláudia Razuk, coordenadora do Colégio Itatiaia, o maior erro dos pais em relação à chupeta é a supervalorização do acessório. "Eles oferecem a chupeta como se ela fosse a salvação para todos os problemas pelos quais a criança passa".

Desde que não seja exagerado, o hábito de chupar chupeta não deve ser visto com preocupação. No entanto, usar o bom senso é primordial. Para começar, a ideia de oferecer a chupeta ao recém-nascido só porque ele está chorando deve ser abolida. Os pais devem esperar os sinais da necessidade efetiva. O ideal é observar se o bebê precisa sugar o dedo ou parte da mão, um paninho, o cabelo da mãe, a roupa. Veja também se ele está com fome, com a fralda suja. As razões do choro podem ser muitas.

A inclusão precoce da chupeta pode provocar o desmame, pois o bebê pode fazer confusão de bicos (seio materno x chupeta) e passar a ter dificuldade em sugar o seio materno. Depois de fixadas as mamadas regulares, pode-se oferecer a chupeta nos casos em que o bebê precise.

A dentista Liana Carneiro Costa alerta que muitas vezes o uso do bico é até necessário para que seja suprida a necessidade de sucção do bebê. "Ofereça uma só chupeta ao bebê, apenas em momentos críticos, sem deixá-la à mão e de fácil acesso para a criança e, caso seja necessário o uso de bico, recomendamos o ortodôntico, que fará a criança exercitar mais a musculatura do que o bico comum".

Segundo a psicóloga Ana Lúcia Oliveira, o uso da chupeta não é igual em todas as crianças. "As vantagens ou desvantagens variam de criança para criança. Temos que considerar a singularidade de cada individuo", pondera.

O dedo

Há crianças que não gostam de chupeta, mas estes casos são raros e podem levar a outro hábito nada saudável: o de chupar o dedo. Tudo bem, tudo bem... Seu neném fica lindinho com o dedo na boca. Mas ele causa muitos prejuízos ao crescimento dos dentes e é muito mais difícil de ser eliminado, já que não há como restringir o acesso.

Outro problema se esconde atrás do hábito: mão de criança está sempre mexendo aonde não deve. Levar o dedinho sujo à boca pode atacar seriamente a saúde do pequeno, sem contar que, em longo prazo, poderá causar uma anormalidade do tecido dos ossos do dedo preferido.

Durante a chamada fase oral, que vai até os 20 meses, não é necessário alarde. É uma reação instintiva: o bebê tem necessidade de sugar e faz isso para se acalmar, quando está muito cansado ou com fome, carente de conforto ou chateado. Com o tempo, o hábito deveria se tornar desinteressante e ser substituído por um brinquedo macio e aconchegante, principalmente quando se mantém pela busca do conforto e não pela necessidade da sucção. Mas, quando a mania se prolonga é de extrema importância tratar a causa, pois a criança pode estar triste, solitária ou até depressiva, e por isso, chupa o dedo.

Chupeta X dedo

A dentista Liana Carneiro Costa explica que a sucção é um ato fisiológico e necessário nos primeiros meses de vida do bebê. "Crianças amamentadas no peito têm suas necessidades físicas e psicológicas supridas, contribuindo para a não aquisição dos hábitos de chupar o dedo ou chupeta, mas uma lactação inadequada, falta de aleitamento materno ou alimentação artificial dada neste período pode determinar a instalação desses hábitos".

Pode ser necessidade, sim. Mas também pode ser pura mania. A fonoaudióloga Luiza Kawagoe faz uma observação. "Às vezes a criança não chupa a chupeta e fica com a mesma na boca, apenas ocupando um espaço, quase como se fosse um brinquedinho".

Questões psicológicas não devem ser excluídas. Por volta de um ano de idade, ocorre a transição da necessidade física para a emocional. É o momento em que a criança passa a ter entendimento e começa a usar o hábito de chupar o dedo ou a chupeta para minimizar frustrações: elas podem pedir a chupeta ou levar o dedo à boca sempre que ficam chateadas, como quando recebem um não dos pais ou levam um tombo.

Pode ser que a criança também desenvolva uma relação afetiva com a chupeta. Novamente é importante avaliar a presença de transtornos emocionais e conversar com o pequeno. Quando não consegue largar a chupeta, a criança está com alguma dificuldade de aceitar frustração ou de se relacionar com o mundo. "Às vezes, a dependência também causa uma infantilização exagerada, ou seja, a criança usa o artifício da chupeta e dedo na boca como uma forma de não querer crescer”, diz Cláudia Razuk. Ela precisa entender que aquilo está fazendo mal e assim despertar a vontade de parar.

Para evitar que a criança leve o dedo à boca com frequência, Dr. Roblelo dá dicas. "Chame a atenção para atividades onde ele use as mãos como desenhar, pintar, montar", ensina o médico. Já se a questão é a retirada da chupeta, o pediatra orienta não deixá-la à mostra. "Mesmo sem vontade, ao vê-la, colocam na boca", diz.

Segundo Luiza Kawagoe, brigar com a criança não adianta e só atrasa o processo. O ideal é sempre conscientizar dos prejuízos que estes hábitos acarretam. "A proibição simples dificilmente dá resultados eficientes", pontua. E proibir não é mesmo o caminho mais correto. No entanto, é aceitável se os pais perceberem que os hábitos estão atrapalhando o desenvolvimento da criança, conforme pontua Ana Lúcia oliveira. "Mas tudo deve ser feito com respeito e carinho", ressalta a psicóloga.

Comparar a criança com outra, desde que beneficamente, pode ajudar na eliminação da chupeta ou dedo. "As crianças gostam de mostrar que estão crescendo e, quando os pais comparam seu filho com uma criança mais velha, que ela admira e que já deixou a chupeta, essa comparação pode ajudar, sim", orienta a especialista.

Na verdade o pulo do gato está em fazer as coisas de forma sutil. Se a criança perceber que os hábitos incomodam os pais, não hesitará em contrariá-los. "A criança gosta de chamar a atenção para si, gosta de ser o centro das atenções. O ideal é não ressaltar com veemência e sempre tentar distraí-la com algo que ela aprecia, além disso, os pais devem tocar calmamente no assunto, tentando de maneira simples dizer que não é bonito", ensina Dr. Roblelo.

O entra e sai da chupeta e do dedo na vida da criança varia conforme a necessidade em cada etapa do desenvolvimento. O interesse diminui com a descoberta de novos atrativos. Os pais devem oferecer mordedores e brinquedos que podem ir à boca para ensiná-la a substituir.

Para que a interrupção do hábito não cause traumas, os pais precisam estar bem seguros. "Os sentimentos deles passarão para as crianças", considera Cláudia. O incentivo também é fundamental. Por isso priorize os momentos de carinho ao lado dos seus pimpolhos e faça um elogio ou carinho sempre que a criança conseguir ficar pelo menos um tempo sem chupar dedo ou quando deixar a chupeta de lado. Pode parecer besteira, mas isso fará toda a diferença no futuro. "Deixar esses comportamentos de forma correta pode fazer com que tenhamos crianças mais ajustadas emocionalmente", diz Ana Lúcia.

A psicóloga lembra, ainda, sobre a importância da retirada dos hábitos na tenra idade. "A criança pode ser vitima de bullying por chupar dedo ou chupeta no contexto escolar e/ou social, caso ela já tenha passado da época de deixá-los para trás". A especialista diz, ainda, que os pais devem perceber o melhor momento para iniciar o processo. "Geralmente, quando a chupeta é retirada numa idade mais avançada, a criança não a substitui pelo dedo. A substituição pode ocorrer se a criança ainda sentir necessidade de sucção ou quando regride o comportamento quando ganha um irmãozinho ou quando está carente, querendo chamar a atenção".

Liana Carneiro Costa alerta os pais de que não há uma fórmula mágica para resolução do problema agindo isoladamente. "Não se pode esquecer que a continuação do hábito de sucção do dedo ou chupeta pode ter diversas causas", explica. Portanto, é importante que, em caso de dificuldade, os pais procurem a ajuda de profissionais como odontopediatras, fonoaudiólogos e psicólogos para a remoção do hábito.

Alguns contras

Problemas na respiração podem ser ocasionados por causa do uso da chupeta ou do hábito de chupar o dedo. Nos dois casos, a boca permanece aberta e faz com que a criança acabe trocando a respiração nasal pela oral. Outros problemas respiratórios também podem ser ocasionados. "Tanto chupeta quanto dedo são facilitadores de doenças respiratórias e em geral provocam a respiração oral viciosa, que também favorece doenças do trato respiratório superior", avisa a fonoaudióloga Luiza Kawagoe.

Diversas infecções são outro ponto preocupante. Um estudo apontou que crianças que não usavam chupeta tinham 33% menos incidência de infecções no ouvido médio. Portanto, se o seu filho tem tendência a otites, largar a chupeta pode ser uma excelente ideia.

E tudo acaba se interligando: de acordo com o Dr. Hamilton Roblelo, há, ainda, possibilidade de outras infecções como amigdalites, rinofaringites e sinusites causadas por conta da respiração pela boca.

Ruim para os dentes

As mamães que ainda amamentam não devem ter a ilusão de que a sucção é igual no peito e na chupeta ou dedo. A sucção do peito é a única responsável por desenvolver de maneira plena a musculatura, as arcadas e a respiração do bebê. "O aleitamento maternal serve como um exercício que estimula o desenvolvimento das estruturas orofaciais. A chupeta e o dedo não ajudam essa evolução, sem falar que podem provocar alterações nas arcadas dentárias, prejudicando a oclusão dentária", alerta a fonoaudióloga Luiza Kawagoe.

Segundo a dentista Liana Carneiro Costa, o aparecimento da maloclusão, como a mordida cruzada ou mordida aberta nas arcadas dentárias vai depender essencialmente da intensidade, força e duração diária do hábito de sucção, posição do dedo ou chupeta na boca e também a predisposição genética.

Se o seu filhote anda com a mania do dedinho na boca, não vai ter muito jeito: dê a chupeta. Ela deve ser específica para cada faixa etária e se difere em modelo e tamanho, sendo algumas com formato ortodôntico desenvolvido para causar menos prejuízos. "Os pais devem observar uma que tem alguns furinhos na ponta. É melhor e impede a ingestão de gases, é só pode colaborar com gases e cólicas nas crianças abaixo dos seis meses, depois disto ela consegue facilmente eliminar os gases e praticamente não apresenta mais cólicas", ressalta o Dr. Roblelo.

Mas o socorro tem limite: aos três anos de idade, todos os dentes de leite já estão na boca e, a partir daí, o estrago provocado pela chupeta é cada vez maior. Segundo o pediatra Hamilton Roblelo, já foi comprovado que se parar até esta idade, consegue-se reverter todas as alterações da arcada dentária, impedindo as deformidades faciais.

O impacto da sucção depende de diversos fatores e, quanto mais frequente, intenso e prolongado o hábito, maior o estrago e mais difícil a recuperação. As deformações como mordida aberta, mordida cruzada, projeção dos dentes para frente e musculatura flácida de lábios e língua podem desaparecer com o tempo. Mas casos mais graves exigem tratamento ortodôntico e fonoaudiológico para a correção e a eliminação das consequências.

Ruim para a fala

Uma coisa acaba levando à outra: se o hábito de chupar a chupeta ou dedinho trouxe alterações para a arcária dentária, irá afetar também a fala, provocando alterações na articulação dos sons. "Chupar o dedo em qualquer idade, ou chupar a chupeta após os dois anos podem prejudicar o desenvolvimento das estruturas orofaciais, interferindo tanto em condição de musculatura destas estruturas, quanto na mobilidade de língua e lábios, alterando a produção dos sons da fala", pontua a fonoaudióloga Luiza Kawagoe.

Quando a criança começa a falar e mantém a chupeta o tempo todo na boca, poderá perder o contato dos pontos articulatórios para a emissão dos sons da fala, e isso pode contribuir muito para o aparecimento de distorções como o ceceio (às vezes confundido com a língua presa: a língua entra no meio dos dentes na hora de falar sons como "s" e "z"). Sem falar que, chupando a chupeta ou dedo, a criança permanece de boca aberta e com a língua rebaixada, descansando em posição pouco natural. Isso altera a mastigação, a deglutição e o paladar.

Segundo Cláudia Razuk, se passarem do limite aceitável, os hábitos de chupar chupeta ou dedo podem ocasionar problemas no aprendizado. Isso está diretamente ligado aos prejuízos na fala.

Quer uma mãozinha?

Se já está na hora de abandonar o hábito da chupeta, incentive o seu pimpolho a se sentir independente. Prepare-se, pois não é nada fácil deixar a mania de lado. Com jeitinho e paciência a criança vai se sentindo segura e abandonando de vez o acessório. Veja alguns truques que podem ajudar vocês na transição:

- Não deixe a chupeta disponível
- Reduza aos poucos o uso, deixando com que a criança use a chupeta somente à noite, de preferência na hora de dormir
- Seja perseverante: nos primeiros dias a criança vai pedir a chupeta e caberá a você ser firme. Nunca volte atrás na decisão
- Troque a chupeta por algo que a criança goste. Pode ser uma brincadeira, um passeio ou presentinhos. Mas atenção: nunca substitua a chupeta por doces
- Criança adora a ideia de estar crescida. Diga que chupeta é coisa de bebê
- Incentive-a a dar a chupeta para o Papai Noel, para o Coelhinho da Páscoa ou para a Fadinha da Chupeta, em troca de uma lembrancinha
- Identifique os sinais de que seu filho está pronto para largar a chupeta e aproveite o momento. Na primeira oportunidade em que ele recusar a chupeta, tire-a de sua vista e aguarde. Naturalmente ele pode largar o hábito.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Refluxo do xixi

Por Carolina Mouta
Matéria publicada em 12/04/2011, no site Bolsa de Bebê *
Imagem: Dreamstime

Quem é mãe sabe que refluxo é uma palavra que não falta no seu dicionário. Afinal, os pequeninos costumam nos presentear com regurgitações sem fim. Mas, agora, vamos falar aqui sobre outro tipo de refluxo que acomete bebês e que, nem sempre, é bem diagnosticado: o refluxo do xixi.

Menos comum que o gastroesofágico, o refluxo vesico-ureteral (RVU) acomete cerca de 1% das crianças de todo o mundo.De acordo com a Drª Vera Koch, médica responsável pela unidade de nefrologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, o refluxo do xixi é o retorno de parte da urina, que deveria ser expelida, para os rins. "A urina é produzida pelos rins, escoa pelos ureteres até a bexiga. Quando a bexiga fica cheia se deflagra o processo de micção, o músculo da bexiga se contrai e a urina sai pela uretra. Nas pessoas que têm refluxo, parte do volume de urina que está na bexiga volta para o rim, isto pode ocorrer só no momento da micção ou independente deste", explica.

Com isso, e com o tempo, as bactérias presentes na urina podem causar o que os médicos chamam de infecções urinárias de repetição. E, normalmente, é aí que pais e médicos descobrem a doença. "A maior parte dos refluxos é diagnosticada na investigação da infecção urinária febril da criança. Parte das dilatações renais ou hidronefroses, presentes na ecografia fetal são também causadas por refluxo", esclarece a Drª Vera. Estatísticas dão conta de que entre 25 e 40% das crianças com infecção urinária sofrem de refluxo vesico-ureteral. Isso é bastante.

Muitas vezes a infecção urinária deixa de ser diagnosticada ou é tratada como uma virose. Isso pode dar tempo para que essa infecção faça um estrago. Elas podem provocar lesões nos rins, com formação de cicatrizes definitivas que, se tiverem extensão suficiente poderão levar à insuficiência renal. Estima-se que de 5 a 15% dos casos de insuficiência renal terminal devam-se, em última análise, ao refluxo vesico-ureteral. Mesmo pequenas cicatrizes podem ocasionar, em médio-longo prazo, a instalação de hipertensão arterial e levar à deterioração da função renal. Por isso, se a criança tem infecções urinárias com frequência, é importante procurar um especialista.

Existem algumas causas para o aparecimento do RVU. Normalmente é um problema congênito, mas pode também ter origem genética e até mesmo ser motivado por um desfralde precoce. Além disso, o refluxo pode acontecer em apenas um ou nos dois rins. "O refluxo pode existir já desde o intra-útero, isoladamente ou associado a outros tipos de má-formação urinária, ou pode ser adquirido posteriormente. No menino a forma mais comum é a congênita e se apresenta precocemente. Já a menina apresenta o quadro após o primeiro ano de vida, sendo a patologia adquirida", diz a Drª Vera.

O refluxo pode ocasionar algumas complicações em médio e longo prazo. Essa evolução da doença, normalmente, está ligada à sua causa. "Em geral quanto maior o grau do refluxo, ou seja, quanto mais urina voltar aos rins, maior a chance de associação com complicações", alerta a médica. E o problema pode ter cinco graus: do um, o mais leve (refluxo só no ureter) até o cinco, o mais grave (refluxo até o rim, causando intensa dilatação renal e tortuosidade dos ureteres). A classificação internacional estabelece assim os graus:

Grau I - refluxo só para o ureter
Grau II - refluxo até o rim, sem causar dilatação renal ou ureteral
Grau III - refluxo até o rim, causando pouca dilatação renal.
Grau IV - refluxo até o rim, causando moderada dilatação renal.
Grau V - refluxo até o rim, causando intensa dilatação renal e tortuosidade dos ureteres.

A confirmação do diagnóstico é feita através da uretrocistografia miccional. É um exame radiológico, realizado com contraste: a substância é introduzida na bexiga, verificando-se se ela reflui até aos rins. Não é nada confortável, mas é necessário para que seja comprovada a suspeita e iniciado o tratamento.

Diagnosticado o quadro, o tratamento é clínico. É importante lembrar que o que vale para um paciente não é o que é colocado em prática com o outro. O tratamento é individualizado e nele são levados em conta diversos fatores como a idade da criança, o sexo, o grau de refluxo, manifestação da doença, evolução das infecções, comprometimento renal e as particularidades de cada caso. Alguns casos mais raros e extremos têm indicação cirúrgica.

Dados estatísticos revelam que 15% dos adolescentes portadores de insuficiência renal crônica têm como causa o refluxo vesico-ureteral que não foi diagnosticado ou corretamente tratado na infância. A boa notícia é que, uma vez tratado, não há com o que se preocupar. "Em geral, quando o refluxo comprovadamente desaparece, não há recidiva", finaliza a Drª Vera.

* O texto pode ter sofrido modificações