quarta-feira, 14 de março de 2012

Mitos e verdades sobre bebês

Por Carolina Mouta
Matéria publicada no site Bolsa de Mulher *
Imagem: Dreamstime

Só quem é mãe de primeira viagem sabe o quanto as dúvidas fazem parte do dia a dia de quem tem um bebezinho em casa. E conselhos não faltam. É avó, é tia, é vizinha: todo mundo quer dar pitaco. O grande problema é que muito do que se ouve por aí não passa de pura falácia!

Bebês não devem tomar chá? Virar o bebê de barriga para baixo diminui a cólica? Copinho pode substituir mamadeira? Lã na testa faz o soluço passar? São tantas as curiosidades!

Para dar uma organizada na cabeça e não perder tempo com bobagens, a Dra. Rosa Resegue Ferreira da Silva, presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade de Pediatria de São Paulo, preparou um guia com alguns mitos e verdades que a gente está cansada de ouvir por aí.

BEBÊS NÃO DEVEM TOMAR CHÁS? - Mito. Esta afirmativa é verdadeira quando a criança está em aleitamento materno até o sexto mês de vida. Nesse caso, deve-se evitar a ingestão de chás, pois podem prejudicar as mamadas e a absorção de ferro. Os chás devem ser preparados em infusão e sem adição de açúcar. O chá preto e o mate devem ser evitados por conterem cafeína.

ATÉ QUE O UMBIGO CAIA É NECESSÁRIO TAPÁ-LO? Mito. A limpeza do coto umbilical deve ser feita com álcool a 70%. O umbigo costuma secar durante a primeira semana de vida e cair entre oito e dez dias. Manter a área do umbigo sempre limpa e seca auxilia no processo de cicatrização. Por esse motivo, é preferível, inclusive, deixá-lo para fora da fralda. Importante destacar que o coto umbilical não dói.

AMIDO DE MILHO PREVINE ASSADURAS? Mito. Em alguns casos, a utilização de uma papa de amido de milho pode auxiliar (efeito calmante) quando a dermatite já estiver instalada. Por ter a forma de talco, o amido de milho deve inclusive ser evitado pelo risco de acidente (aspiração).

VIRAR O BEBÊ PRA BAIXO DIMINUI AS DORES DE CÓLICA? Nem mito, nem verdade. A cólica costuma acontecer nos primeiros três meses de vida da criança, tendo múltiplas causas. São também várias as iniciativas usadas como auxiliares para diminuição da dor do bebê e da ansiedade dos pais, como o uso de fraldas aquecidas ou colocar a criança de bruços sobre o colo ou a mão dos familiares. Nenhuma dessas iniciativas, entretanto, mostrou-se eficaz nos estudos realizados, mas é preferível sua utilização ao uso de medicamentos, que não têm eficácia comprovada e podem causar efeitos colaterais na criança.

LÃ NA TESTA FAZ O SOLUÇO PASSAR? Mito. Os soluços, assim, como os espirros são frequentes no bebê e ocorrem nas mudanças de temperatura, como no banho ou ao trocar as fraldas. Inócuos, os soluços não doem e podem ser aliviados colocando a criança ao seio para amamentar ou, simplesmente, acalentando-a.

A ALIMENTAÇÃO DA MÃE PODE INTERFERIR NAS CÓLICAS DO BEBÊ? Verdade. No entanto, é preciso deixar claro que não há necessidade de dietas especiais para a mãe que amamenta, devendo-se evitar apenas o consumo excessivo de alguns alimentos que podem provocar irritabilidade e/ou aumento dos movimentos intestinais como café e chocolate (considera-se excessivo o consumo de mais de 450g/dia).

CHUPETA ALTERA O DESENVOLVIMENTO BUCAL E DA FALA? Verdade. É importante não encorajar o uso da chupeta. Quando a criança já tem esse hábito, recomenda-se o uso da chupeta quando a criança for dormir, devendo-se retirá-la em seguida. Evite que a chupeta seja acessível para a criança. Não é recomendável o uso de prendedores (inclusive pelo risco de acidentes) e também de fraldinhas presas à chupeta, que só pioram as alterações provocadas.

RECÉM-NASCIDOS SENTEM MUITO FRIO E DEVEM ESTAR SEMPRE AGASALHADOS? Mito. Agasalhar demais os bebês pode provocar hipertermia.

SONECAS DIURNAS SÃO IMPORTANTES PARA OS BEBÊS? Verdade. A qualidade das sonecas diurnas é, inclusive, importante para a qualidade do sono noturno.

COPINHO PODE SUBSTITUIR MAMADEIRA? Verdade. Não há necessidade do uso de mamadeiras. Após o sexto mês, na passagem para os alimentos complementares, pode-se introduzir diretamente os copinhos. O mesmo é feito quando a mãe ordenha o leite para uso posterior. Nesses casos, o leite materno é oferecido em copinhos ou por meio de colheradas.


* O texto pode ter sofrido modificações.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Natação para bebês

Por Carolina Mouta
Matéria para o site
Bolsa de Bebê *
Imagem: Dreamstime


A água é um elemento bastante conhecido dos bebezinhos. Afinal, foram nove meses de contato com o meio aquático, ainda que na barriga. Os pequenos saem dela demonstrando muitos reflexos e movimentando-se com muita habilidade. Aproveitando essa deixa, muitos pais iniciam seus filhotes na natação, o único esporte indicado para bebês. E que gostoso pode ser! Sem barreiras para os movimentos e sem sentir o seu próprio peso, o pequenino tem momentos de prazer e descoberta e aprende a nadar a partir da brincadeira de mexer os bracinhos e as perninhas.

Completo, o exercício estimula todas as partes do corpo, promove tranquilidade e momentos de intimidade com os pais. Mas não é só por isso que é indicada. Há inúmeros motivos para matricular o seu bebê na aula de natação. De acordo com o professor Dani D´Aquino, segurança, saúde e lazer são alguns deles. "A natação pode evitar acidentes e salvar vidas desde muito cedo; fortalece o organismo prevenindo doenças ou promovendo reabilitação física e bebês e crianças bem adaptadas à água e, sabendo nadar, aproveitam muito mais as visitas em piscinas, praias, lagos e rios", pontua.

Bebês podem começar o exercício desde muito cedo. O ideal é que os pequenos tenham o primeiro contato com a piscina quando já tomou as segundas doses da maioria das vacinas, estão mais firmes e têm mais movimentação do corpo. Isso evita problemas chatinhos como inflamações de ouvido. "Para a maior parte dos pediatras a natação é recomendada a partir dos seis meses de vida, com o atestado", diz a professora Flávia Gazolli, especialista em psicomotricidade aquática.

Normalmente não há contraindicação do esporte para bebês, exceto quando as crianças têm alergia ao cloro.

Benefícios à beça

Mamães que decidirem colocar os bebezinhos na natação irão colher ótimos resultados. "A natação melhora da coordenação motora; aumenta a capacidade cardiorrespiratória; desenvolve noções de espaço e tempo e ajuda a prevenir doenças respiratórias", enumera o professor D´Aquino. Equilíbrio, tônus e outras atividades funcionais são muito favorecidas. "A natação estimula o apetite e tranquiliza o sono", explica Flávia.

E não é só o físico que colhe benefícios. O lado emocional e a confiança mútua também podem ser bastante trabalhados. "O bebê que pratica a natação desde cedo é estimulado de diversas formas. O contato direto com a água e seu acompanhante, que na maior parte das vezes é com sua mãe, proporciona momentos de conforto e estimula a afetividade", esclarece a especialista.

A natação pode auxiliar na prevenção e no tratamento de algumas doenças, principalmente as de origem respiratória, desde que praticadas em piscinas bem tratadas e com boa circulação de ar fresco. Alergias, bronquites ou rinites alérgicas podem ter um baita alívio com a prática regular do esporte. Mas, não se engane! A natação pode ser negativa em alguns casos. "A pressão, uma das propriedades físicas da água, tanto pode ajudar em caso de doenças respiratórias ou circulatórias também pode piorar doenças como a sinusite. Por isso a importância de consultar o seu médico antes de iniciar a prática da natação", reconhece o professor D´Aquino. De acordo com Flávia Gazolli, a natação também é excelente para tratar crianças que apresentam atraso motor.

Como é a aula

As aulas para bebês são cuidadosamente formuladas. Normalmente são mais curtas que as aulas tradicionais - têm a duração de até 45 minutos - e a presença de um dos pais é indispensável até, mais ou menos, os três anos. "Precisamos de alguém de confiança para entrar na água com o bebê. Um dos pais fica praticamente o tempo. Em alguns momentos a criança fica com o professor. As atividades são colocadas aos pais e eles executam com seus filhos. Nós, professores, somos mediadores", conta Flávia Gazolli.

Segundo Dani D´Aquino, o professor orienta as atividades - que devem ser prazerosas - de acordo com a idade de cada bebê. "É mostrada a melhor maneira de segurar o bebê e como fazer os mergulhos, além de muitas outras atividades, que geram segurança para os bebês e os pais", explica. O ritmo é menos intenso para os bebês menores. "Os bebês com menos de oito meses possuem um ritmo diferente, mais lento", ressalta Flávia.

De acordo com a especialista, para pais e bebês o exercício deve ter um caráter lúdico e recreativo. Já para o profissional, deve ter planejamento e conteúdo. "Brincar por brincar qualquer um faz. A diferença é que estamos auxiliando esses pais a estimular seu filho de uma forma segura e organizada", orienta.

É importante que o ambiente seja rico em estímulos. Deve haver número suficiente de objetos com diferentes cores, tamanhos, formatos e as atividades devem buscar facilitar o desenvolvimento dos sentidos da criança. Músicas também devem fazer parte das aulas, pois estimula a memória, ajuda a aumentar o vocabulário e traz noção de ritmo.

Olho vivo!

São tantos pormenores que não é qualquer pessoa que pode dar aulas de natação a bebês. Conhecimentos sobre psicologia e fisiologia do desenvolvimento infantil fazem diferença na hora de propor as atividades adequadas à faixa etária. Portanto, os pais devem estar atentos à habilitação dos instrutores. "Os professores obrigatoriamente devem ser formados em educação física, registrados no Conselho Regional de Educação Física (CREF), com participação de cursos específicos de natação para bebês", salienta Dani D´Aquino.

Outro ponto que precisa ser avaliado é o local das aulas. Os pais devem conhecer a academia, verificar as instalações físicas em relação à higiene, ventilação e limpeza dos vestiários.Assistir a uma aula e conversar antes com o professor para saber sobre a dinâmica ou número de bebês por turma, são boas dicas.

A piscina - motivo de preocupação de muitos pais - deve receber tratamento especial. "A temperatura de ser em torno de 32 a 33°C, com residual de cloro dentro da faixa ideal e, de preferência, com tratamento auxiliar da água através de ozônio ou ultravioleta", explica o professor Dani.

Para que a criança aproveite as aulas e tenha vontade de cair na piscina, insira a natação no dia a dia sem alterar a rotina. O horário da aula não deve coincidir com o soninho da tarde ou com a hora da alimentação do pequeno. E não se preocupe com a fralda: já existem modelos de várias marcas próprios para piscina e que não apresentam qualquer risco de vazamento.

Como em tudo o que fazemos, estímulos são muito bem-vindos: elogie o seu bebê a cada conquista, a cada mergulho, a cada gesto. Assim, a natação será um momento de extrema felicidade, permeada por muito aprendizado e lições para a vida inteira.


* O texto pode ter sofrido modificações

segunda-feira, 5 de março de 2012

Vaidade infantil

Por Carolina Mouta
Matéria para o site Bolsa de Mulher *
Imagem: Dreamstime


"Espelho meu, espelho meu, existe no mundo alguém mais bela do que eu"? Está documentado nas fábulas infantis: beleza e vaidade são assuntos que mexem com a cabeça dos humanos muito cedo. Desde pequenininhas, as meninas têm vontade de se maquiar, pintar as unhas, cuidar dos cabelos, ficar bonita. Os meninos não ficam de fora: querem roupa da moda e penteados descolados. Nada de mais, dentro dos devidos limites.

As crianças estão tão mais exigentes que querem cuidar da aparência em um lugar pensado só para elas. Atendê-las quer dizer ter uma decoração colorida, com mobiliário adequado, videogame, cama elástica, piscina de bolinhas, karaokê e tudo o mais que você possa imaginar. Para dar conta desse público, um novo segmento de mercado vem conquistando muitos clientes e, neste ramo, os salões de beleza são os que mais crescem. E não apenas para cortar o cabelo: "As crianças procuram serviços de corte, hidratação, penteados, maquiagens, unhas decoradas", conta Morgana Vigo, proprietária do Astros e Estrelas Kids no Rio de Janeiro.

A presença das crianças em locais que antes só atendiam adultos é cada vez mais constante e tem a ver com mudanças no estilo de vida. De acordo com a consultora em beleza e bem-estar do SPA Shishindo, Soon Hee Han, as mães buscam introduzir as crianças muito cedo a cuidados que antes só iniciavam na adolescência.

Apesar de disponibilizarem - também para crianças - serviços de relaxamento e reeducação alimentar, muitos SPAs são procurados pelas mães para apresentar à criança o universo da beleza e da boa aparência. Aí entram as massagens, terapias com pedras quentes, drenagem linfática, acupuntura e esfoliação. "O objetivo primordial é a introdução em ambientes de glamour, diferenciado", conta a especialista.

Mais que cuidar do visual Os serviços diversificados em SPAs vão além. Alguns, como o Shishindo, organizam festas de aniversário para a garotada. "O SPAs é procurado pelas mães para comemorações pequenas, com o máximo de 12 crianças".

As menininhas que se sentem em casa no salão podem comemorar o aniversário cuidando do visual junto com as amigas. "Fazemos festas para até 20 meninas com direito a um buffet durante as quatro horas em que ficam no salão - incluindo desfile das produções realizadas, sem esquecer o bolo e doces para a hora do parabéns", diz Morgana.

O mercado da beleza infantil é tão amplo que fez com que os profissionais fossem até os clientes. "Vamos também às festas fora do nosso salão. Produzimos todas as crianças com penteados, maquiagens e unhas decoradas e, para os meninos, penteados radicais com gel colorido. As crianças curtem muito este serviço, que realizamos em casas de festas, play de condomínios, desfiles de grifes, escolas e até dentro das residências de clientes, numa comemoração mais íntima", relata a empresária.

Menino também entra

E quem foi que disse que os meninos não curtem uma produção? "No dia a dia o salão é mais frequentado por meninos, pois cortam cabelos muito mais vezes que as meninas", diz Morgana. Menina gosta é de se enfeitar. "Elas cortam menos, ficam mais ligadas nos demais serviços como unhas, penteados e maquiagem. As meninas curtem as festas no salão, simplesmente adoram!", conta Morgana.

Os SPAs também estão longe de ser território exclusivamente feminino. Nesse clubinho menino entra. "Principalmente adolescentes do sexo masculino buscam muito os serviços de SPA, limpeza de pele e antitensão em época de vestibular", diz Soon Hee Han.

Imitar é bom, mas tem limite

De acordo com a psicóloga Marina Almeida, a frase célebre que inicia essa matéria pode aprisionar as crianças num ideal narcísico e infantil. "Elas não verão a diversidade de beleza que não é apenas estética, mas interna, subjetiva, nas relações afetivas e amorosas diante da vida", pontua a especialista.

Morgana Vigo admite: a nova geração de crianças está antenada com o que acontece no mundo, mas ainda se espelha nos pais. E todo mundo sabe: criança adora imitar gente grande. As menininhas copiam a mãe, os garotões querem ser iguais ao pai. E isso faz parte do crescimento da criança. "A fase de imitação é saudável, até que a própria criança possa ser ela mesma, dentro de suas necessidades", orienta a psicóloga Marina Almeida.

Os pais devem estar atentos ao limite. As idas aos salões e SPAs devem ser encaradas pela criança como uma grande brincadeira que alia beleza e higiene. "As crianças precisam estar com os cabelos cortados, principalmente a franja, para não atrapalhar a visão e o aprendizado na escola. Devem estar sempre com as unhas limpas, pois as doenças estão aí", orienta Morgana.

A inclusão de um SPA na agenda infantil passa a ser preocupante quando elas chegam para perder peso por causa da estética e não da saúde. Os pais devem ser coerentes: algumas realmente precisam de um trabalho de reeducação alimentar e exercícios físicos. Outras só querem imitar a modelo vista na televisão.

Quando essa vaidade toda passa a ser levada a sério, o alerta dos pais deve acender. "O cuidar-se deixa de ser saudável na medida em que esta criança só vive para isso: para o salão de beleza, para os cosméticos, para imagem, sem poder notar outras necessidades afetivas, a de crescimento, como estudar, ter amigos, construir valores éticos e morais", diz a psicóloga Marina Almeida.

Incentivar o culto à beleza e ao corpo em demasia pode fazer com que a criança pule etapas importantes do desenvolvimento da sua personalidade levando à sexualização precoce. "É a condição de colocar o ser humano que está em desenvolvimento, se humanizando, tentando aprender a dominar seus impulsos agressivos e libidinais, numa condição aonde se investe somente nas condições de sedução, erotismo, atração, estética corpórea. Valoriza-se mais o investimento no corpo do que nos afetos, valores e autoestima", explica Marina.

Mas não são somente os pais os responsáveis por essa cultura. "A mídia e os valores consumistas levam as meninas a adquirem maquiagem, tinturas de cabelo, esmaltes, bijuterias e mesmo o controle do corpo para ficarem magras e serem manequins. Notamos que a aquisição destes bens não se basta um esmalte, uma bijuteria, mas se anseia pelo exagero, precisa-se ter uma coleção disto tudo", diz a psicóloga.

Cuidado com os produtos

Perfume, esmalte, gel de cabelo, maquiagem, creme hidratante, xampu e condicionador... A lista de produtos infantis não para de crescer. "Os cosméticos ao público infantil têm formulação especial para não agredir a pele e os cabelos das crianças, além de suaves fragrâncias. É fundamental que os produtos utilizados estejam de acordo com a idade", orienta a dermatologista Denise Lima.

A maquiagem deve ser evitada a qualquer custo. "Se isso não for possível, prefira os produtos infantis, que saem com mais facilidade na água. Opte por marcas conhecidas e, mesmo sendo antialérgica, faça o teste na criança", salienta a médica.

De acordo com Denise, os esmaltes não deveriam fazer parte da brincadeira, pois possuem solventes em sua composição. Mas as menininhas não precisam chorar. Há no mercado esmaltes desenvolvidos para crianças e que saem com água e sabão.

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quinta-feira, 1 de março de 2012

Coça, coça: é piolho

Por Carolina Mouta
Matéria para o site Bolsa de Bebê *
Imagem: Dreamstime


Uma coçadinha aqui, outra coçadinha acolá... Nada de mais quando é esporádica. Mas, se o coça-coça não dá trégua, a mamãe logo suspeita: pode ser piolho. Existem diversos tipos do parasita, mas vamos nos ater aqui ao Pediculus humanus var capitis - hein? -, que pode provocar uma infestação chamada de pediculose do couro cabeludo. A doença - que está entre as de maior incidência na população infantil do país - é caracterizada por uma coceirinha sem fim, que atinge principalmente crianças em idade escolar. Mas os adultos não estão livres dele, não. Os bichinhos também não fazem distinção de raça, classe social e nem idade. Se tem cabelo, ele pode fazer a festa!

Quem é esse tal de piolho?

De acordo com a bióloga Bianca Dantas, o piolho é um inseto pequenino, de coloração marrom. Possui uma boca adaptada, usada para perfurar a pele e sugar o sangue humano, do qual se alimenta. As garras nas seis pernas possibilitam grudar no corpo do hospedeiro.

Os bichinhos não voam, não pulam e vivem em torno de 30 dias. Nesse tempo podem fazer um estrago... "Uma fêmea pode colocar até 300 ovos durante a sua curta vida. Na sua fase reprodutiva ela costuma botar, em média, de dez a doze ovos por dia. Esses ovinhos de cor esbranquiçada são as lêndeas, que costumam ficar grudadas nas raízes do cabelo, bem pertinho do couro cabeludo, e eclodem em cinco ou seis dias", explica Bianca.

Como são transmitidos?

Engana-se quem pensa que os piolhos estão associados à falta de higiene. A história não é bem assim: os piolhos gostam mesmo é de um cabelo limpinho. A transmissão acontece através do contato pessoal direto com os indivíduos infestados e pelo compartilhamento de utensílios como pente, boné, travesseiro, lenço de cabeça e presilhas. Encostos de cadeiras e assentos de carros também ajudam a disseminar a pediculose.

Quais os sintomas?

O primeiro sintoma de uma infestação é uma intensa coceira no couro cabeludo, principalmente na região da nuca e atrás das orelhas. Essa coceira, causada pela saliva e pelas fezes do piolho, pode resultar em feridas, deixando uma porta aberta para infecções bacterianas. E entre uma coçadinha e outra não há quem durma. "Além de atrapalhar o sono, a pediculose pode levar as crianças a um quadro de estresse, o que atrapalha, inclusive, o desempenho escolar", ressalta a pediatra Rosana Monteiro. Mas não é só isso: dois meses são o suficiente para que o quado se agrave. "Pode haver o aparecimento de gânglios e anemia", avisa a especialista.

Como diagnosticar a pediculose?

Além da coceira, uma outra forma de evidenciar a infestação é verificando a presença dos parasitas. Mas isso não é nada fácil, especialmente no caso dos piolhos. Eles fogem ao menos sinal de movimento nos cabelos. As lêndeas são bem mais legais: ficam paradinhas, grudadinhas nos fios e tem uma coloração mais clara, sendo melhor identificadas.

Dá para prevenir

Não tem jeito: pais que têm filhos em idade escolar devem estar atentos e inspecionar sistematicamente as cabecinhas. Com a ajuda do pente fino, é bom fazer uma varredura diária nos fios de cabelo. "A criança pode criar o hábito de passar o pente fino toda vez que for tomar banho", sugere a dermatologista Fernanda Oliveira. Assim, se houver piolho, ele já vai, literalmente, por água abaixo!

Outros cuidados podem ajudar a manter os piolhos bem longe: a criança deve ser orientada a não compartilhar objetos como pentes, bonés e presilhas. Manter as madeixas curtas ou amarradas também são boas opções, mas não prenda os cabelos se eles estiverem úmidos.

Operação pente fino

No caso de haver infestação, o pente fino - preferencialmente e metal ou inox - também é o principal aliado no tratamento. Quando for passá-lo, é bom utilizar um pano claro, evitando que os piolhos caiam na roupa. Os piolhos e lêndeas que caírem no pano devem ser deixados em vinagre diluído em água por um período de 30 minutos, para que sejam mortos. Aliás, essa fórmula (uma parte de água para uma parte de vinagre) também é eficaz para retirar as lêndeas. "A orientação é passar a solução com a ajuda de um pedacinho de algodão. Use poucos fios de cabelo de cada vez, pressione-os entre o algodão e puxe da base do fio para as pontas", ensina a drª Fernanda.

Receitinhas alternativas, nem pensar!

Na ânsia de exterminar os insetos, muitos pais se deixam levar por recomendações alternativas e produtos inadequados. Mas, não existem receitas infalíveis para exterminar os piolhos. A médica ressalta que o uso de soluções caseiras, principalmente se na fórmula tiver querosene e inseticidas, deve ser totalmente descartado. "Esses produtos são tóxicos ao ser humano e podem ausar irritações e reações alérgicas. A melhor conduta e procurar um especialista, que indicará o tratamento adequado com shampoos ou loções, chamados de pediculicidas. Ferver os objetos pessoais, tais como pente, boné, lençol e roupas também ajuda", diz. O uso dos "remedinhos para piolho" deve ser repetido cerca de dez dias após a primeira aplicação. Esse é o tempo necessário para que as lêndeas - que se safam dos pediculicidas - se transformem em piolhos. Por isso, é importante considerar o ciclo biológico do parasita.

Fazendo o tratamento direitinho, em duas semanas o pequeno estará livre dos bichinhos. Aí, é cuidar para que não haja reinfestação. Afinal, ninguém quer ser surpreendido com o aparecimento de visitantes tão indesejados.

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Comportamento de crianças diante o sol

Por Dr. Marcelo Olivan


O Pedriatrics (http://pediatrics.aappublications.org/), jornal da Academia Americana de Pediatria, publicou um estudo recente com crianças e pré-adolescentes para verificar como se comportam diante do sol, se têm o hábito de cuidar da pele e usar protetor solar.

Pesquisadores entrevistaram 360 crianças em Massachusetts (EUA), quando elas tinham dez anos de idade, fazendo perguntas sobre se tinham sofrido uma queimadura no verão anterior, quantas horas costumam passar sob o sol, se gostam de se bronzear e se usam protetor solar. Eles acompanharam os participantes e após três anos, as crianças - já adolescentes, foram entrevistadas novamente e os resultados foram surpreendentes.

A queimadura solar permaneceu estável, latente na pele, em pouco mais de 50% dos participantes. Enquanto crianças, apenas 50% relataram o uso frequente do filtro solar sob o sol, por pelo menos seis horas. Entretanto, o uso do protetor, nas mesmas condições, caiu para 25% quando as crianças passaram a ser adolescentes.

O estudo mostra que as crianças que sofreram um incidente de queimaduras solares grande na infância correm duas vezes mais risco de desenvolver um melanoma mais tarde na vida. Aos dez anos, a participação dos pais é mais ativa, por isso o uso maior do filtro solar. Mas os pais ainda pecam em apenas incentivar as crianças a usarem o filtro solar e não explicam o por que de se proteger do sol. O número de pré-adolescentes que passam o tempo ao sol para ficar bronzeadas aumentou durante o período de três anos. Na adolescência, a vida ao ar livre e os bronzeados vistos na televisão e nos colegas se tornam mais importante do que o cuidado com a própria saúde.

O sol pode causar danos latentes à pele se não cuidada corretamente. Até chegar à adolescência, a criança se expõe demais à radiação solar, que tem ação cumulativa ao longo dos anos, afetando o DNA das células. Os pais e a sociedade devem provocar um alerta sobre os perigos com a pele nos jovens. A exposição à radiação do sol está associada ao desenvolvimento de câncer de pele mais tarde na vida, ou seja, é imprescindível o uso correto do protetor ainda quando pequenos. E a proteção da pele é o único meio de evitar futuramente a doença.

O autoexame é também uma medida preventiva para diagnosticar precocemente o câncer de pele. Todas as partes do corpo devem ser examinadas diante do espelho pelo e, ao avaliar sinais suspeitos na pele, como manchas, feridas que não cicatrizam, ou pintas de nascença que comecem a crescer ou a mudar de cor, o paciente deve procurar um médico especialista imediatamente e ser encaminhado para o tratamento correto. A cura é bem possível na maioria dos casos, principalmente quando há prevenção.

*Dr. Marcelo Olivan é membro do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e está diretamente envolvido com intervenções reparadores, como reconstrução e remoção de lesões causadas por câncer de pele e queimaduras. Mantém o portal www.cancerpele.com.br, que esclarece dúvidas sobre a doença e alerta sobre prevenção.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Galinha Pintadinha faz a alegria dos carioquinhas


Por Carolina Mouta
Matéria para o blog O Baú da Criança
Imagem: Divulgação

Posso apostar: as mamães conhecem bem o fascínio que a Galinha Pintadinha exerce sobre os pequenos. E toda essa magia pode ser vista ao vivo e em cores (e que cores!) no Teatro das Artes, no Rio de Janeiro.

O espetáculo musical faz temporada em terras cariocas até o dia 1° de julho e traz para o palco, além da personagem principal, o Galo Carijó, a Baratinha e sua banda Os Naftalinas, a Borboletinha, o Sapo e seus amigos do brejo e até Dona Chica - aquela que atirou o pau no gato. Para a apresentação foram escolhidas 12 músicas - já conhecidas da pequena turminha.

O Teatro das Artes fica no Shopping da Gávea. O endereço é Rua Marquês de São Vicente, 52, 2° piso, Gávea. Há espetáculos às 15 e às 17 horas, sempre aos sábados e domingos. A entrada custa R$70 e crianças até dois anos não pagam, desde que não ocupem assento. De dois a 21 anos, desconto de 50%. Ingressos online no www.ingresso.com.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Volta às aulas: cuidados com a mochila escolar

Por Carolina Mouta
Matéria para o blog O Baú da Criança
Imagem: Dreamstime

Iniciozinho das aulas! Época que os pequenos adoram! Rever os amigos, contar as novidades das férias... Para os pais, preocupação com o material escolar, uniforme e a nova mochila dos filhos. Essa, muitas vezes, tão esperada pelas crianças. No entanto, é preciso um certo cuidado na hora da escolha: bolsas muito pesadas e mal distribuídas podem causar dores e desvios por vício de postura e impacto na coluna.

Segundo informações do chefe do Serviço de Ortopedia do Hospital e Maternidade Celso Pierro da PUC-Campinas, José Luis Zabeu, o material escolar não pode ultrapassar 10% do peso da criança. Em algumas escolas isso se torna praticamente impossível. São tantos caderno, tantos livros... A grande questão é que o excesso de peso ocasiona dores em toda extensão das costas e provoca vícios de postura.

O que também pode acontecer com o mau uso da mochila é o impacto na coluna. Para minimizar os danos, o médico aconselha que a criança utilize sempre os dois ompbros para carregar a bolsa. Outra boa dica é a mochila com rodinhas, desde que seja verificada a altura da criança e a regulagem da mochila. É importante sempre orientar o pequeno a mudar o braço que puxa, para evitar a escoliose.

Na hora de escolher a mochila, preste atenção em alguns detalhes:

-Alças acolchoadas ajudam a amortecer a pressão sobre os ombros;
-Bolsas com amortecedores para região dorsal e cinto ajudam a mantê-las junto ao corpo e protegem as costas;
-As mochilas com muitos bolsos e enfeites não são indicadas, pois podem aumentar o peso final.

Então, mamães e papais, beleza não é tudo! Cuidado é fundamental!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Seu filho está seguro em casa?

Por Carolina Mouta
Matéria para o site Bolsa de Mulher *
Imagem: Dreamstime


Num piscar de olhos aquele bebezinho que só ficava no colo começa a andar. Passinhos trôpegos logo darão lugar a um andar apressado e, às vezes, a uma corridinha. Quedas e tropeções são mais do que naturais nessa fase. No entanto, não é porque está em casa que seu filhote está em segurança. Já parou para pensar quantos perigos passam despercebidos no recesso do lar? Não? Então, se você é mamãe ou está prestes a entrar para o maravilhoso mundo da maternidade, está na hora de começar a pensar.

Estudos mostram que, pelo menos, 90% das lesões em crianças poderiam ser evitadas com simples atitudes de prevenção. Em meio às expedições de exploração, basta um segundo de distração do adulto para que a criança engula um brinquedinho, coloque o dedo na tomada ou escale o sofá em direção à janela. Até mesmo acidentes com arma de fogo podem acontecer. É preciso preparar a casa.

Alessandra Françoia, coordenadora nacional da Criança Segura, alerta que qualquer risco do ambiente doméstico, se subestimado, pode resultar em um acidente grave. E os dados do Ministério da Saúde provam que existem muitas crianças se acidentando por aí. A estatística mostra as principais causas de morte, mas nem sempre é possível identificar quais ocorreram dentro de casa.

Acidentes no trânsito encabeçam a lista de fatalidades, seguidos por afogamentos, sufocações, queimaduras, quedas, intoxicações, acidentes com armas de fogo e outros, todos estes riscos comuns do ambiente doméstico. "Os números de mortes por acidentes de crianças até 14 anos, segundo DATASUS/Ministério da Saúde (2008), apresentaram-se da seguinte forma: acidentes de trânsito (1.971), afogamentos (1.360), sufocações (754), queimaduras (313), quedas (255), intoxicações (94), acidentes com armas de fogo (36) e outros (323). Foram 5.106 mortes no total. No caso das hospitalizações por acidentes, também de crianças de 0 a 14 anos, foram 109.241 no total, a maior parte delas por quedas (58.581 hospitalizações), posteriormente, acidentes de trânsito (10.874), queimaduras (15.007), intoxicações (3.963), sufocações (504), afogamentos (374), acidentes com arma de fogo (271) e outros (19.667)", diz Alessandra.

Conhecer as particularidades e diferentes características do desenvolvimento da sua criança é um bom caminho para compreender a incidência de determinados acontecimentos. É importante ressaltar que qualquer criança, independentemente de sua classe social, está vulnerável à ocorrência de um acidente.

Cozinha não é lugar de criança
Não é à toa que o velho ditado diz que cozinha não é lugar de criança. E não é mesmo! É um local no lar onde ocorre a maior parte dos acidentes domésticos, sejam queimaduras, cortes, incêndios, dentre outros. Junto com os banheiros e as escadas são os locais mais perigosos de uma casa.

Alessandra Françoia aconselha os pais a controlarem a entrada da criança na cozinha com a instalação de um portão ou grade de segurança. Caso o pequenino drible o esquema, toda atenção é pouca. A maioria das queimaduras com bebês, especialmente entre as idades de seis meses e dois anos, é causada por comidas quentes e líquidos derramados na cozinha. "As queimaduras representam os acidentes mais graves deste ambiente. Além das queimaduras, outros riscos também são comuns como intoxicações, pois a criança pode ter acesso a produtos de limpeza, e lesões com objetos cortantes como facas e garfos", orienta Alessandra.

Cuidado nos detalhes
Piores que os riscos aparentes podem ser os "perigos invisíveis" de uma casa, aqueles que existem, mas, normalmente, ninguém dá importância, até que algo acontece. Pequenos objetos - aparentemente inofensivos - espalhados pela casa também podem causar sufocação. Portanto, guarde bem os sacos plásticos, embalagens de presente. Até pedacinhos de comida podem apresentar perigo. Observe um tamanho seguro para oferecer o alimento ao seu bebê. A sufocação ou engasgamento está no topo da lista entre os acidentes (com morte) de crianças de até um ano.

O afogamento é a segunda causa de morte entre todos os acidentes com crianças de um a 14 anos, no Brasil. É importante salientar que os perigos não estão apenas nas águas abertas como mares, represas e rios. Para uma criança que está começando a andar, por exemplo, três dedos de água representam um grande risco. Assim, elas podem se afogar em piscinas, cisternas e até em baldes, banheiras e vasos sanitários. E fique sabendo: a primeira causa de afogamento com crianças é a falta de supervisão, geralmente por questão de segundos. Não confie na sua rapidez. "Um balde deixado ao alcance da criança com apenas três dedos de água pode significar risco sério de afogamento. Por curiosidade, a criança de até quatro anos pode colocar a cabeça dentro do recipiente e, por ter essa parte mais pesada que o resto do corpo, pode não conseguir mais voltar e acabar afogando em pouca quantidade de água", exemplifica. Por isso, piscinas devem ter grades e o pequeno precisa estar sempre sob o olhar atento de um adulto. Boa parte das crianças que se afogam em piscinas está em casa sob o cuidado dos responsáveis. Um mero descuido basta para que um afogamento ocorra.

Além do perigo de afogamento, um simples banho de banheira, sem que o responsável tenha antes testado a temperatura da água, pode ocasionar sérias queimaduras. Esse tipo de lesão tende a ser mais grave que a ocasionada pelo derramamento de algum líquido quente pois cobre uma porção maior do corpo. Mas não é por isso que você vai deixar de tomar certos cuidados na hora de cozinhar: os cabos da panela devem estar sempre voltados para dentro. Isso evita que a criança puxe a panela e entorne o líquido.

Quedas de janelas são frequentes. Investir em telas de proteção e grades de segurança evitará que o seu super-homem tente sair voando. As escadas também são vilãs e abocanham boa parte das lesões. Grades e portas fechadas podem diminuir os riscos. Cuidado também com as camas: crianças com menos de seis anos não devem dormir em beliches. Se não tiver escolha, coloque grades de proteção nas laterais. E cinto de segurança não é só para a cadeirinha do carro, não, viu? O dispositivo existe nos carrinhos e nos cadeirões de refeição e precisa ser usado. Bebês, ansiosos por explorar o mundo, querem ficar de pé sob os assentos e, sem o cinto, a queda é certa.

Intoxicações com medicamentos e produtos de limpeza também representam grande risco. Crianças com até dois anos de idade correm maior risco de um envenenamento não intencional já tudo o que consideram interessante levam à boca. Ainda mais se é algo colorido como muitos desinfetantes. Plantas podem ser venenosas. Portanto, verifique se as suas são seguras e ensine as crianças a não colocá-las na boca ou utilizá-las para fazer comidinhas, por exemplo. Brinquedos merecem atenção redobrada. Além de não conterem peças pequenas, que possam ser engolidas, os pais devem se preocupar com o material da composição é atóxico. As tintas do berço e da parede de sua casa podem conter substâncias como chumbo e monóxido de carbono, que fazem mal à saúde da criança. Por isso preste atenção à composição das tintas utilizadas em sua residência. A fumaça de cigarros, cosméticos e até vitaminas pode ser responsáveis pelo envenenamento de bebês, sabia? Fique esperta.

Não subestime seu filho em relação às armas de fogo. Crianças de três anos de idade são fortes o suficiente para puxar o gatilho de muitos revólveres. Já está comprovado que o acidente ocorre porque até oito anos de idade as crianças não conseguem distinguir entre armas reais e de brinquedo. Quase todos os tiros fatais não intencionais ocorrem em casa ou na vizinhança. A maioria dessas mortes envolve armas guardadas carregadas e acessíveis para as crianças.

Quartinho seguro
Bebês, mesmo pequeninos - quando ainda nem engatinham - correm riscos em casa. Para manter as possibilidades bem longe da sua preciosidade, monte um quartinho à prova de qualquer acidente.

Para começar, dê atenção especial ao lugar onde o bebê vai dormir. "Bebês devem dormir em colchão firme, de barriga para cima, cobertos até a altura do peito com lençol ou manta presos embaixo do colchão e os bracinhos para fora. O colchão deve estar bem preso ao berço - não mais que dois dedos de espaço entre o berço e o colchão - e sem qualquer embalagem plástica", ensina Alessandra. Brinquedos, travesseiros e objetos macios devem ser removidos do berço quando o bebê estiver dormindo, para reduzir o risco de asfixia.

O berço em si deve ter certificação do Inmetro, conforme as normas de segurança da Associação Brasileira de Normas Técnicas. Para evitar que o bebê prenda os bracinhos, as pernas ou se machuque, as grades devem ser fixas e não podem ter mais que seis centímetros de espaçamento. As cortinas e persianas também merecem atenção. Nada de cordinhas penduradas. Isso reduzirá o risco de estrangulamento.

Casinha segura
Está em dúvida se a sua casa é segura para o seu bebê? Veja o guia preparado pela coordenadora nacional da Criança Segura, Alessandra Françoia:

- Deixe baldes e banheiras longe do alcance da criança, guardados virados para baixo;
- Feche vasos sanitários e impeça o acesso da criança a máquinas de lavar louças;
- Tire objetos pequenos como botões, moedas e clipes do alcance da criança;
- Observe se os brinquedos entregues a criança possuem partes pequenas que podem se soltar, se são adequados para a idade da criança e se possuem selo do INMETRO;
- Corte os alimentos em partes bem pequenas na hora de alimentar a criança;
- Use protetores de tomadas e evitar fios elétricos soltos que podem ser alcançados pela criança;
- Cozinhe nas bocas de trás do fogão e evitar o acesso da criança à cozinha. Não cozinhe com a criança no colo e evitar deixar líquidos quentes em cima de mesas e móveis com toalhas que a criança possa puxar;
- Cuidado com eletrodomésticos ligados que a criança possa ter acesso: ferro de passar roupas, aquecedores, secador e chapinha de cabelos;
- O álcool, muito utilizado nos lares para limpeza, deve ser evitado e substituído por outros produtos;
- Escadas devem ser protegidas com portões de segurança;
- Janelas e sacadas devem possuir redes ou grades de segurança;
- Cuidado com móveis que podem ser escalados pela criança ou que podem potencializar um acidente. Ex: um móvel abaixo da janela;
- Medicamentos devem ser armazenados em armários trancados para que a criança não tenha acesso;
- O mesmo com produtos de limpeza, inseticidas e qualquer outro produto tóxico;
- Pesquisa se as plantas de sua casa podem ser tóxicas;
- Armas de fogo: o ideal é não tê-las em casa, mas se for necessário, devem ser armazenadas em locais que a criança não possa chegar, trancadas, separando-se a arma da munição;
- A supervisão do adulto em todo momento também é essencial para garantir a segurança da criança.

Mais dicas no endereço eletrônico da organização Criança Segura.
* O texto pode ter sofrido modificações

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Cortando as unhas dos bebês

Por Carolina Mouta
Matéria para o site Bolsa de Bebê *
Imagem: Dreamstime

Toda vez é a mesma coisa: seu filho tem garras de gavião e não te deixa cortar. A pirraça, normal a partir de um ano de idade, não dá trégua e o chororô começa quando, desejando ser um polvo, você o envolve com braços e pernas na tentativa de fazê-lo parar de se debater e, ao mesmo tempo, alcançar as mãos e conseguir aparar as unhas do filhote. Ufa! Praticamente uma operação de guerra. Mas, de acordo com especialistas não é necessário nada disso. Cortar as unhas pode ser simples. Quer ver?

Quando nascem, as crianças têm a unha mais mole, semelhante a uma pele endurecida, por isso são necessários alguns cuidados para prevenir inflamações e ferimentos. Para começar, você precisa criar o melhor momento. Tem que ser uma hora em que tudo esteja muito tranquilo. "Isso varia muito de criança para criança. Pode ser durante o sono pesado, quando está mamando ou distraída com alguma coisa", ensina a podóloga Mildre Buorlo, que orienta os pais a não insistirem no caso da criança abrir o berreiro. "Nesse caso, tente cortar por etapas. Assim ela acaba acostumando sem deixar traumas", diz.

Momento criado, estabeleça uma rotina. "Corte sempre no mesmo período no dia, associe a algo que a criança goste muito de fazer como uma brincadeira, um livro, um desenho. Dessa forma, toda vez que a mãe usar um desses métodos, a criança irá associá-lo ao corte de unha", orienta Mildre.

É necessário utilizar o equipamento correto e que seja só de uso da criança. Prefira tesourinhas pequenas e de bico redondo. "O famoso cortador de unha não é muito aconselhável para bebês, pois a unha é tão pequenina que o cortador pode acabar machucando o dedo da criança", avisa a podóloga. Mas tudo vai da adaptação da mamãe. Já existem no mercado alguns cortadores com lupa, que facilitam a visualização. E nada de cortar a unha muito curta ou arrancar pedacinhos ou peles. "Corte sempre em linha reta e não deixe muito rente. Nunca cutuque as laterais, pois não há necessidade", aconselha Mildre.

Normalmente, já nos primeiros dias de vida, o bebezinho deve ter as unhas cortadas. "A criança já nasce com a unha comprida. Às vezes o primeiro corte é feito dentro da própria maternidade pelas enfermeiras", observa a especialista. No entanto, se a mamãe fizer questão de realizar a façanha, a enfermeira Mariana de Simone aconselha: "Coloque uma luvinha na mãozinha do bebê até que esteja realmente segura para desempenhar essa função. A unha do bebê parece um papelzinho e fica bem grudadinha na pele do dedinho e, com isto, o risco de machucar a criança é grande", ressalta. As unhas podem ser cortadas a qualquer momento em que estiverem compridas. No geral, as unhas das mãos crescem mais rápido e são cortadas toda semana. Já as dos pés demoram cerca de quinze dias para crescer.

Quando detectam algum problema nas unhas dos bebês as mães costumam levá-los ao pediatra, que encaminha a criança para tratamento. O importante é que, ao menor sinal de inflamação, a mamãe procure atendimento profissional. "Se os dedinhos estiverem com inchaço, vermelhidão ou com infecção é aconselhável não mexer", aconselha a podóloga Yumi Ikeda.

Unha Encravada
Muitos bebês já nascem com unhas dos pés encravadas e, se não for realizado um corte correto, sofrerão sempre com o problema. Isso acontece porque um pedacinho de unha incrusta na pele aí já viu... “Isso acontece porque a pele forma uma barreira ao seu crescimento e, como a unha não para de crescer e é mais dura, ela penetra na pele podendo causar dor e ate inflamação", esclarece Mariana de Simone.

Quando não trazem a unha encravada do útero, um momento bastante propício para o aparecimento delas é quando os bebês começam a engatinhar. Aí é atrito pra cá, atrito pra lá: lascam, quebram e ferem as unhas. Outras estripulias do bebê também podem ocasionar o problema. "Chutes no berço e carrinhos podem gerar pequenos traumas que venham a se transformar em uma unha encravada", alerta Yumi Ikeda.

Mamães podem ter sua parcela de culpa na história: macacões com pezinho ocasionam traumas e meias e sapatos apertados costumam ser vilões. A genética também pode influenciar. "Nas unhas da mão é muito mais difícil acontecer. Quando acontece pode ser por problema de má formação, corte incorreto ou acidentes", diz Mildre Buorlo.

O que fazer se o pequeno está com o esse "probleminha"? Primeiro, é necessário identificar o porquê daquela unha encravada. Observe se o sapatinho está apertado, se o macacão com pé está pequeno e fazendo pressão nos dedos, se as meias têm costuras grossas ou se o corte está incorreto. Massagear os dedinhos utilizando um creme ou óleo pode ser uma excelente opção. "Isso dá um alívio na pressão do dedo sobre a unha, fazendo com que aquele momento seja muito prazeroso para a criança", ensina Mildre, que alerta: "A massagem deve ser feita com cuidado, bem de leve, com movimentos circulatórios ou escorregando os dedos para cima e para baixo. Nunca massageie com força em cima da unha pois, como a criança está em fase de crescimento, pode ser que afete a formação da mesma", finaliza.

Passo a passo
Não tem como fugir! As mamães precisam se preparar para o corte das unhas dos seus filhotes. A dica é manter a calma e seguir conselhos de quem entende do assunto.
- Esteja segura para este momento, fique tranquila, não deixe que a criança perceba que você é novata neste caso;
- Ache o momento da criança, cada criança tem o seu;
- Procure fazer isto durante o dia e em local de muita luminosidade;
- Ache um lugar confortável, pegue apetrechos para distrair a criança;
- Lave bem as suas mãos;
- Tenha um cortador ou tesourinha de ponta arredondada exclusivo para esta função. Os acessórios para cotar as unhas deverão estar bem limpinhos;
- Segure bem firme o pezinho ou a mãozinha e em seguida, pegue com firmeza o dedinho da criança separando-o dos demais;
- Concentre-se em um dedo por vez;
- Empurre a ponta do dedo para baixo deixando a unha (parte branquinha) mais acessível;
- Corte sempre reto, sem mexer nas laterais. NUNCA cutuque os cantinhos das unhas;
- Cuidado para não cortar muito, pois o local incomodará a criança;
- Deixe o dedão sempre por último. Pode ser que seja mais complicado;
- Se algum acidente acontecer, lave imediatamente o dedinho da criança com água corrente em abundancia e sabão.

* O texto pode ter sofrido modificações

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

"Todo ponto de vista é a vista de um ponto"

Por Erika de Souza Bueno *


Antes de formularmos e manifestarmos quaisquer pensamentos, conceitos ou preconceitos a respeito de algo ou alguém, é interessante atentarmos para a célebre frase de Leonardo Boff que intitula o presente artigo e que faz parte de seu livro A Águia e a Galinha.

Isto porque todos enxergam o mundo e elaboram seus pontos de vistas (conceitos) de acordo com o ponto em que estão, seja este ponto real e concreto ou imaginário ou subjetivo. Como Boff mesmo disse no livro citado, a cabeça pensa de acordo com o lugar onde pisam os pés; por isso, nós, pais e professores, precisamos fazer dos nossos lares e escolas lugares onde todos tenham igualdade de condições.

A escola e a casa devem ser lugares em que a criança aprenda desde cedo a pluralidade do mundo, dentro da qual situações e circunstâncias sempre contribuem para determinado condicionamento de pessoas. As nossas escolas precisam ser locais que permitam a criança ler e interpretar a realidade com um olhar amplo, sem preconceitos que geram atitudes de intolerância e até violência.

Como são e estão os nossos olhos? Estão fechados apenas em nosso mundo? São e estão abertos para compreender e respeitar a realidade do outro, assim como suas experiências e contradições?

Torna-se cada vez mais importante ampliarmos nossa visão de mundo diante daquilo que já nos é comum, ou seja, para além daquilo que nos é comum e confortável. Temos que atentar para situações de injustiça e violência que provocam dores e lágrimas em pessoas que nos são alheias. Precisamos romper as fronteiras de nossa confortável realidade e deixar de ser indiferentes à dor do próximo.

É preciso respeito ao que se apresenta de maneira diversa daquilo que estamos acostumados dentro do nosso universo particular, pois as diferenças são riquezas que nos completam e nos fazem cada vez mais próximos da plenitude da vida e do amor. Na sala de aula, uma das possíveis causas de tantos dissabores possivelmente seja o fato de que as diferenças entre a realidade do professor e a do aluno não estão sendo respeitadas e compreendidas pelos envolvidos no processo.

Para se ter um bom relacionamento com o aluno, o professor não precisa anular o que julga ser correto e aceitável. Não, de forma nenhuma. Da mesma maneira, é preciso fazer chegar ao conhecimento do aluno que ele não precisa ser como o professor ou seus pais, ainda que estes precisem adotar um comportamento de exemplo do que ensina e transmite, tanto em casa como em sala de aula. Tanto professores e pais quanto alunos podem viver em harmonia mesmo sendo tão diferentes uns dos outros.

É fundamental compreendermos que, assim como acontece conosco, os pontos de vistas do nosso aluno advêm do lugar onde ele está inserido e da situação que ele está vivendo - ou por algum motivo acredita que está vivendo. Às vezes, os problemas que o aluno apresenta como causas de seu mau relacionamento com o outro e consigo mesmo são pequenos e insignificantes para seus pais e professores, mas nem por isso devem ser desconsiderados, pois é a maneira como o mundo está sendo lido e interpretado por esse filho e aluno, uma vez que “cada um lê com os olhos que têm”.

Nossa missão é ampliar a capacidade de percepção do mundo de cada um de nossos filhos e alunos, contribuindo para a construção coletiva de uma sociedade mais justa e igualitária para todos, diminuindo, desta forma, a rivalidade e o preconceito que só nos impedem de melhorar nosso papel de pais e professores de jovens tão ávidos por ser compreendidos, exercendo maior compreensão.

* Erika de Souza Bueno é Coordenadora-Pedagógica do Planeta Educação e Editora do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br). Professora e consultora de Língua Portuguesa e Espanhol pela Universidade Metodista de São Paulo. Articulista sobre assuntos de língua portuguesa, educação e família.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Liquidação Alô Bebê vai até o dia 12

Por Carolina Mouta
Matéria para o blog O Baú da Criança
Imagem: Dreamstime


Se você está querendo dar aquela renovada no guarda-roupa do seu filhote, a hora é essa! A Alô Bebê veste crianças até 12 anos e faz uma super liquidação até o dia 12 de fevereiro.

Peças da coleção de primavera/verão estarão com até 40% de desconto. Entre os itens na promoção estão: o conjunto Lunender de camiseta e short, para as meninas, de R$69,90 por R$41,94; e para os meninos, o conjunto pacífico, de R$61,90, por R$37,14.

A liquidação é válida para qualquer uma das lojas físicas da rede Alô Bebê, que ficam somente no estado de São Paulo. Não sabe onde tem uma? Acesse www.alobebe.com.br e confira os endereços.

A rede aceita todos os cartões de crédito e débito (Visa, MasterCard, Diners, America Express, HiperCard, Aura), com parcelamento em até quatro vezes sem juros.

Lembrando mais uma vez: os descontos não valem para as compras feitas pelo site.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Buscapé lança ferramenta para comparar preços de materiais escolares

Por Carolina Mouta
Matéria para o blog O Baú da Criança
Imagem: Dreamstime


Assustada com o tamanho da lista de material escolar? Prepare-se para se assustar também com a variação de preços que os produtos que a compõem sofrem nessa época do ano. A recomendação é pesquisar em diversas lojas e papelarias em busca de economia e melhor preço, o que sempre dá muito trabalho.

Para ajudar papais e mamães a minimizarem os gastos, o Buscapé, maior site de comparação de preços do comércio eletrônico no Brasil, lançou uma ferramenta que, não só cria listas, mas também consulta a melhor compra dos produtos em uma ou mais lojas sugeridas pelo site.

E, acredite: a diferença de preço é gigantesca. Em alguns casos, a economia pode ser de 499,60%, como no caso do caderno universitário espiral Dura Credeal Conect, que apresentou preços variando de R$9,99 a R$59,90. Outra grande diferença registrada é a do grampeador PaperPro StackMaster Manual 100, que teve o menor preço de R$129,90 e o maior de R$345,20, uma variação de 165,74%.

Convenhamos, economia na lista escolar sempre vai bem. Depois, é usar o dinheiro que sobrou para fazer um programa legal com os pequenos nesse restinho de férias.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Papinhas com sabor de Brasil

Por Carolina Mouta
Matéria para o blog O Baú da Criança
Imagem: Dreamstime

Cada região brasileira tem um alimento mais utilizado na culinária, ou mesmo um prato que é a cara daquele pedacinho do país. E a gente sabe que os ingredientes próprios de cada região são mais fresquinhos, saborosos e baratos. Com eles é possível preparar pratos típicos incríveis. E porque as crianças devem ficar de fora dessa folia gastronômica? Desde pequenos dá para colocá-los frente a frente com as delícias locais e ensiná-los a ter uma alimentação que privilegie frutas, legumes e verduras.

A proposta das especialistas consultadas é adaptar essas gostosuras - quando necessário - e inclui-las nas refeições da garotada. Há diversas sugestões para incrementar o almoço, o jantar, o lanche... E, se você não conhece algum ingrediente, nada de cara feia: aprenda a provar os sabores do Brasil. Assim o seu filhote tem o bom exemplo e come sem fazer careta!

Do Centro Oeste vem um prato chamado cozidão. E os pequeninos podem se deliciar com uma versão que leva cenoura e salsinha, fontes de pró-vitamina A e ferro. "Colocamos todos os vegetais do cozidão mesmo, pois é viável. O cuidado é controlar sal e óleo e, quando necessário, cozinhar por mais tempo", analisa a nutricionista Raquel Botelho.

E é também do coração do Brasil que chega uma receita bem gostosa para o lanche: bolo de jenipapo com passas. Típica da região, a fruta é fonte de proteínas, rica em vitamina C, ferro e fibra.

A região Norte é um caso à parte. Rica em sabores exóticos, a culinária local abusa dos ingredientes típicos e costuma se render às frutas, boas fontes de vitaminas, minerais e fibras. "A papinha de banana pacovã, é feita com um tipo de banana que é popularmente chamada de banana comprida ou da terra. Ela apresenta tamanho maior do que as bananas comuns e deve estar com ponto de maturação bem avançado. É um fruto muito apreciado na preparação de doces e salgados", explica a nutricionista Sônia Oliveira.

O peixe e papa de macaxeira com pupunha fazem uma excelente combinação. Aliás, a culinária nortista aposta nos pratos à base de peixes. "Esta preparação contém proteína que é importante para crescimento da criança e formação de novas células, evita a anemia, contém carboidrato, que fornece energia e contribui no ganho de peso, é rica em lipídeos que são gorduras responsáveis também por fornecer energia ao organismo", explica a especialista.

E nutrientes não faltam. Os frutos da pupunheira constituem um alimento essencialmente energético, mas contêm quantidades pequenas de proteína, óleo, caroteno, vitaminas B, C e ferro. "O preparo contém vitamina A, que é importante para a pele, crescimento, para a manutenção da visão normal; vitamina C, importante para melhorar a imunidade e para ajudar na absorção do ferro e na cicatrização; zinco, que é importante para aumentar o paladar e apetite; cálcio, fundamental para os ossos e dentes e fibra alimentar, necessária para o bom funcionamento do intestino", diz.

No Sul é muito comum o purê de moranga, que as crianças comem até se lambuzarem por completo. Essa espécie de abóbora é bastante apreciada nessa região do Brasil. Nas cidades do interior qualquer pedacinho de terra vira uma plantação. Então, porque não aproveitar e inseri-la no cardápio do seu filhote? "A moranga é fonte de vitamina A, vitaminas do complexo B, cálcio e fósforo", ressalta a nutricionista Ana Paula Dexheimer.

E, para a sobremesa de quem raspar o prato, outra iguaria local: o sagu. A receita original do doce leva vinho, cravo-da-índia, canela e açúcar. Feito a partir da fécula da mandioca, também ricamente cultivada entre o Paraná e o Rio Grande do Sul, as pequenas bolinhas podem ganhar uma infinidade de sabores, como o sagu de laranja. Segundo Ana Paula, além de ser uma gostosura, o sagu é rico em vitamina B3, que reduz dermatites e atua na digestão, vitamina C, cálcio, ferro, fósforo, potássio e proteínas. "Pode guardar na geladeira. A família inteira vai se deliciar", aposta.

A região Sudeste é responsável por um dos pratos mais conhecidos no território nacional e também no exterior. E é ela quem serve de inspiração para a receita da feijoadinha, selecionada pela nutricionista Karen Levy Delmaschio. O feijão preto é excelente para as crianças: possui ácido fólico, uma vitamina importante na prevenção de anemia, pois atua na renovação dos glóbulos vermelhos do sangue, no crescimento, no sono e na memória.

E não é só por isso. "No feijão estão presentes triptofano, um aminoácido que atua na sensação do bem-estar, no sono, no crescimento e na produção da insulina; o manganês, mineral que ajuda o metabolismo ósseo; o magnésio, mineral que reduz a hiperatividade, a insônia, ajuda na memória, no aumento do apetite e na evacuação; vitamina B1 (tiamina), que reduz a hiperatividade, a dificuldade de aprendizado, a inapetência e o ferro, mineral que atua na inapetência, reduz o aparecimento de estomatite e atua na formação de glóbulos vermelhos do sangue", lista a especialista.

Por si só o feijão já é campeão para a saúde. Mas, a composição tem outra integrante de peso: a couve. Rica em fibras e vitaminas A e C, a verdura tem ação antioxidante, aumenta as defesas do organismo contra infecções, atua na absorção do ferro, na cicatrização de feridas, na hiperatividade, reduz a inapetência, previne o sangramento das gengivas; é bom para os olhos, para o crescimento, ajuda na contração dos músculos, transmissão de impulsos nervosos, coagulação sanguínea, ajuda no sono e na memória. Ufa!

Uma deliciosa papinha de frutas tropicais também cai super bem na região, uma das mais quentes do Brasil. Refrescante, a combinação tem gosto de quero mais e faz um bem enorme. "A banana ouro tem potássio, importante para a contração muscular e vitamina B6, excelente para o bom funcionamento dos sistemas nervoso e imunológico, atuando na produção de glóbulos vermelhos do sangue. O mamão é rico em bromelina, enzima que ajuda na redução de muco e inflamação; além de ácido fólico, vitamina importante na prevenção de anemia, pois ajuda a renovar os glóbulos vermelhos do sangue. A pitanga possui vitamina A, nutriente essencial para a visão, crescimento, desenvolvimento dos ossos e dentes e vitamina C", esclarece Karen.

E quem não aprecia a culinária do Nordeste? É tanta coisa boa que nem dá para contar! A fruta-pão é bem conhecida por lá e, muitas vezes, é servida no café da manhã de forma simples: cozida e com manteiga. Bastante versátil, a polpa branca pode ser consumida in natura ou no preparo de pratos doces e salgados. As crianças poderão prová-la de forma bastante nutritiva: a sopa de fruta-pão. De acordo com a nutricionista Marcella Azevedo, a belezura é rica em calorias, carboidratos, água, vitaminas B1, B2 e C, cálcio, fósforo, ferro e tem baixo teor de gorduras.

Para arrematar a lista e refrescar, que tal um suco de umbu? A Umbuzada é azedinha, mas a garotada vai adorar. O fruto tem bastante vitaminas A, C, B1, B2 e minerais como cálcio, fósforo, potássio e ferro. “A fruta tem ação energética, ajuda a eliminar toxinas e auxilia contra a desnutrição”, finaliza a nutricionista.

RECEITAS

CENTRO OESTE

Receitas da nutricionista Raquel Botelho

Cozidão
3 colheres de sopa de carne (músculo)
3 rodelas de banana da terra
1 colher de sopa de cenoura
3 colheres de sopa de mandioca
3 colheres de sopa de batata doce
1 colher de chá de cheiro verde
3 colheres de sopa de batata inglesa
1 colher de sopa de repolho branco
1 colher de chá nivelada de alho
1 colher de chá de cebola1 colher de chá de óleo
1 colher de café nivelada de sal 2 xícaras e meia de chá de água

Em uma panela dourar a carne com o alho. Cobrir a carne com água e adicionar o sal, deixando cozinhar até que a carne fique macia (pode ser utilizada a panela de pressão). Enquanto a carne cozinha, descascar e cortar em cubos a mandioca, cenoura, batatas, batata doce, repolho, e cebola. Adicionar cada uma destas hortaliças, na ordem citada, com intervalos de cinco minutos de uma para outra. Deixar cozinhar e por ultimo adicionar a banana cortada em cubos, finalizando a preparação salpicando o cheiro verde picado.

Bolo de jenipapo e passas
2 xícaras de farinha de trigo
2 xícaras de açúcar
2 ovos
1 xícara de manteiga
1 unidade média de jenipapo
1 colher de chá de fermento químico
3 colheres de sopa de uva passa
1 pitada de canela em pó
1 xícara de água

Bater na batedeira o açúcar com a manteiga derretida. Acrescentar as gemas e bater. Adicionar o suco de jenipapo (jenipapo sem casca e sem semente batido no liquidificador com a água) e homogeneizar a massa. Juntar lentamente à massa a farinha de trigo peneirada e o fermento químico e misturar até que a massa esteja lisa. Separadamente bater as claras em neve e verter a massa de bolo sobre a clara em neve. Misturar com uma colher de plástico ou de metal levemente, e acrescentar as uvas passas e a canela em pó, mexendo até que a massa esteja homogênea. Colocar em uma forma de bolo (com furo) com 30 cm de diâmetro, previamente untada com manteiga e farinha, e assar em forno a 180ºC por 35 min.

REGIÃO NORTE
Receitas da nutricionista Sônia Oliveira

Peixe e papa de macaxeira com pupunha
1 colher de sopa de pupunha picada
1 pedaço pequeno de macaxeira descascada
1 colher de sopa de cebola picada
1 colher de sobremesa cheia de cheiro-verde picado
1 pedaço pequeno de peixe
1 colher de café de sal
1/3 de copo de requeijão de água

Em uma panela pequena, colocar a pupunha picadinha, a macaxeira cortada em cubos pequenos, o sal, a cebola, o cheiro-verde e a água. Levar ao fogo baixo e cozinhar por 15 minutos. Escorrer a água. Amassar com garfo e servir com o peixe cozido desfiado.

Papa de banana pacovã
1 pedaço de banana pacovã

Amassar com garfo e oferecer com a colher.

REGIÃO SUL
Receitas da nutricionista Ana Paula Dexheimer

Purê de Moranga
1/2 unidade de moranga
2 batatas
1 pitada de sal

Cozinhar até os ingredientes ficarem macios. Liquidificar e servir acompanhado de carne moída ou frango desfiado.

Sagu de laranja
1 xícara de sagu
2 copos de suco de laranja
4 colheres (sopa) de açúcar

Deixar o sagu de molho em água por 40 minutos. Aquecer o suco de laranja. Acrescentar o sagu e o açúcar. Cozinhar até as bolinhas ficarem transparentes. Antes de apagar o fogo, acrescentar 4 cravos da índia. Servir morninho ou frio.

REGIÃO SUDESTE
Receitas da nutricionista Karen Levy Delmaschio

Feijoadinha
1 xícara de feijão preto
2 folhas de couve
1 unidade pequena de mandioca
1 posta pequena de Dourado ou Cação
2 folhas de louro

Cozinhe o feijão e a mandioca na água com as folhas de louro. Assim que estiver al dente, acrescente o peixe e, por último, as folhas de couve picadas. Quando estiver pronto, retire as folhas de louro e amasse ou bata no liquidificador.

Papinha de frutas tropicais
1 unidade de banana ouro
1 fatia fina e pequena de mamão
4 unidades sem caroço de pitanga

Pique a banana e o mamão e acrescente a pitanga. Amasse bem com um garfo. Não é necessário colocar açúcar pois a criança deverá sentir o gosto doce das frutas.

REGIÃO NORDESTE
Receitas da nutricionista Marcella Azevedo

Sopa de fruta-pão
500 g de fruta-pão
7 xícaras de água
2 xícaras de leite fervido
1 cebola grande
Manteiga e sal

Ferva a fruta-pão até que fique a ponto de passar pela peneira. Feito isso, junte o leite e os demais ingredientes e deixe ferver.

Umbuzada
1 porção de umbus bem maduros
Água para cozimento
Leite e açúcar a gosto

Lave os umbus e leve-os ao fogo para cozinhar por alguns minutos para amolecer a polpa. Retire do fogo e escorra a água, deixe esfriar. Em seguida, despolpe os frutos com as mãos ou com uma colher. Passe a polpa pela peneira grossa ou bata no liquidificador, acrescentando leite e açúcar. Misture até dar consistência de um suco cremoso. Sirva gelado.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O Cirquinho de Luísa está em cartaz no Rio

Por Carolina Mouta
Matéria para o blog O Baú da Criança
Imagem: divulgação


Você já ouviu falar de um espetáculo chamado O Cirquinho de Luísa? Ele é o primeiro projeto de teatro para bebês de que se tem notícia no Brasil. Desenvolvido pela atriz e diretora Liliana Rosa, a peça é recheada de cores, sons, movimentos coreográficos, além de elementos educativos que contribuem para o desenvolvimento das crianças. Por isso é recomendada para bebês a partir de seis meses.

A técnica vem da Europa, onde começou a ganhar força na década de 90. Hoje é um trabalho bastante difundido na França, Espanha, Itália, Alemanha, Bélgica e Portugal. “Mais do que um espetáculo teatral, é um projeto de aprendizagem e partilha entre bebês e pais um meio de introdução da criança no mundo da arte” afirma Liliana Rosa.

A atriz resolveu desenvolver o projeto através da inspiração que veio junto com um momento especial: ser mãe. "O nome do espetáculo revela o que foi essencial no desenvolvimento da nossa pesquisa: o nascimento da Luísa. Desenvolvemos, então, um laboratório de análise das suas reações a determinados estímulos visuais, sonoros e tacteis. A Luísa acompanhou todo o desenrolar dos ensaios e da montagem, foi quase como consultora artística. Além disso, todo o enredo da peça foi inspirado no seu nascimento e crescimento", conta.

O Cirquinho está em cartaz desde 2007 e já foi assistido por mais de seis mil bebês no Rio de Janeiro, São Paulo e em Mato Grosso. Tem dúvidas de que agrada a todos?

O espetáculo está em cartaz no Teatro Cândido Mendes, na Rua Joana Angélica, 63, Ipanema, Rio de Janeiro, aos sábados e domingos, sempre às 16 horas. A temporada vai até abril.

E atenção: apresentando a impressão desta matéria na bilheteria, desconto de 30%: o valor do ingresso adulto cai de R$25 para R$18.

Para reservas de ingressos: 21 3185-4091 / 21 8881-1526. Outras informações no endereço http://ocirquinhodeluisa.blogspot.com.

Os primeiros amiguinhos


Por Carolina Mouta
Matéria para o blog O Baú da Criança
Imagem Dreamstime


Você observa o seu filhote brincando e se assusta quando uma criança chega perto e se inclui na brincadeira. O motivo? Seu pequeno nem sequer olhou para ela. Ignorou completamente. Segundo os especialistas isso é perfeitamente normal até os três anos, quando o interesse está mais voltado para os brinquedos do que para uma companhia. É a chamada brincadeira solitária. E ela acontece até nos ambientes onde há muitas crianças como creches e pracinhas. Mas logo, logo essa fase dá lugar à outra, bem mais gostosa: a descoberta dos primeiros amiguinhos.

Nos primeiros anos de vida não existe troca, colaboração e uma criança não presta atenção na outra, nem se estiverem com o mesmo tipo de brinquedo e fazendo as mesmas coisas. "Ela está focada em seu próprio mundinho. Chamamos de egocentrismo, ou seja, corrente de ideias que se baseia no próprio eu", considera a psicóloga Gabriela Cosendey. De acordo com a psicopedagoga Dulce Consuelo, a criança prefere brincar sozinha por uma questão psicológica e biológica. A transição acontece aos poucos: "Primeiro a mãe - ou a figura que desempenha o papel da maternagem - começa a ser percebida pela criança, depois vem o pai, irmãos, parentes, primos, os coleguinhas da escola, do clube, da igreja", explica.

Gabriela esclarece que o processo de brincar – mesmo sozinha - nessa fase da vida é enriquecedor e já estimula o desenvolvimento do processo de aprendizagem e a aproximação. "Os brinquedos acabam atraindo significativamente a atenção da criança, por despertarem a sua curiosidade. Mas, apesar de não haver ainda uma interação maior entre as crianças dessa idade, já ocorre a convivência entre elas", afirma a especialista.

Assim, de pouco em pouco, a criança vai entendendo o que é ser amigo e o que é ter amigo, e fazendo sua própria seleção. Mas, nem sempre ela escolhe uma criança com o seu perfil. "O que vai determinar as escolhas das companhias será o interesse comum, que pode estar em torno de um brinquedo que chame a atenção delas", exemplifica a psicóloga.

Segundo Dulce Consuelo, quanto mais novos, menor é o preconceito. "Não existe, até os cinco anos, uma preferência de idade ou sexo. São amigos de todos. Inclusive, podem ser amigos de adultos. O preconceito começa a se instalar mais tarde. Quando a criança cresce um pouquinho, com seis ou sete anos, testemunhamos o Clube do Bolinha e o Clube da Luluzinha, meninos com meninos e meninas com meninas. Quando chega a adolescência a integração entre os sexos ocorre novamente, porém com motivos de maior investigação e profundidade pelo outro".

Benefícios para o futuro

A socialização precoce faz parte da vida e, sem dúvidas, é importante para o futuro. "A partir dos três anos, a criança já começa a ter um maior senso de pertencimento, seja a um grupo, seja a uma situação ou atividade. A brincadeira já é mais interativa, as trocas passam a ocorrer com maior frequência. Ela já sabe que pertence a uma família, que faz parte de uma escola, e isso já mostra uma ampliação no seu mundo - interno e externo”, diz Gabriela.

A psicopedagoga Dulce Consuelo salienta que é fundamental estimular o valor e a importância da amizade desde cedo. "A criança aprende que não está só no mundo, que é necessário compartilhar, pensar no próximo. Mais para frente teremos um adulto de bem com a vida, que tem uma família, um trabalho e amigos, pois sabemos, inclusive, que atualmente ter muitos amigos, colegas e conhecidos favorece a recolocação profissional", pontua.

A convivência com outras crianças fará o pequeno perceber e respeitar as diferenças sociais, morais e culturais. "Uma das formas de estimular é facilitar o convívio com os coleguinhas e com os professores também, em atividade extraclasse”, sugere Gabriela. As reuniõezinhas são ótimas para isso. "O convívio pode ser estimulado participando das festas dos parentes, dos coleguinhas da escola, do prédio, do clube, da igreja", sugere Dulce.

E porque não propiciar aos amiguinhos do seu filho uma tarde gostosa na sua casa? E nada de videogame. Prepare papéis, lápis de cor, canetinha, cola e recortes de revista e deixe-os soltar a imaginação. Assim poderão compartilhar mais do que objetos: irão dividir a diversão!

Fazer amigos é uma arte

Segundo a psicopedagoga Dulce Consuelo, nem sempre fazer amigos é fácil. "Se tivermos o movimento instalado de buscar conhecer o outro desde pequeno, fazer amigos é uma tarefa natural. Mas, se os pais estimularem pouco, por serem tímidos, recatados, podem reproduzir filhos com o mesmo perfil. Dessa forma eles podem ter dificuldades de fazer amigos e isso se refletir na fase adulta", orienta. Pais que têm poucos amigos podem contribuir para que o filho tenha poucos amigos também. A ação tem um poder de retenção no outro muito grande, conforme explica Dulce. “Se vemos sempre a mesma circunstância ou situação, podemos reproduzir a atitude”, diz.

Por isso, a dinâmica familiar é fundamental para que as coisas fluam. "Esse é um fator de peso sobre a capacidade de estabelecer e manter relacionamentos com outras pessoas. A identificação primária do indivíduo é com seus pais - ou figuras parentais", pontua Gabriela. A influência da família é tão poderosa que, em alguns casos pode até "definir o jogo", ou seja, determinar uma situação, conforme explica Dulce Consuelo. "Em algumas tradições culturais, como a China, para alguém ser amigo dos filhos é preciso ser aprovado pelos pais, são eles que validarão se tal jovem é digno da amizade dos seus filhos", esclarece.


De mal ou de bem

Interessante perceber como as crianças mudam rapidamente de estado de humor. Uma hora estão de mal do amiguinho e, no minuto seguinte, brincam juntos novamente. As alterações de humor são normais entre amigos, principalmente entre a gente mais miúda, que tem até cinco anos. Ficar de mal faz parte. "A criança ainda está se constituindo enquanto indivíduo e por essa razão apresenta maior labilidade no humor", pondera Gabriela.

Ficar de mal faz parte, mas os pais devem estar de olho e orientar os pequenos para que tudo se resolva rapidamente. "Cabe aos pais explicar aos seus pimpolhos que não é preciso ficar de mal com o amiguinho para sempre, que na vida nem sempre podemos ter tudo. É fundamental explicar que é importante dividir o brinquedo, que assim a brincadeira fica mais legal, que existem muitas coisas bacanas que se pode fazer juntos, e que é muito melhor descobrir coisas incríveis com os amigos do que descobrir sozinho", diz Dulce.

Orientadas, as próprias crianças devem resolver as suas diferenças. Elas podem lidar sozinhas com essa questão. Os pais só devem interferir se a história se tornar grave, quando puder causar um dano físico real ou quando houver risco de se machucarem sério.

De mal ou de bem, a verdade é que as crianças realmente precisam de amigos, pois, de acordo com Gabriela Cosendey, as amizades possibilitam trocas entre iguais, identificações. "A criança aprender a dividir, a esperar, a compartilhar. Tudo isso favorece o processo de desenvolvimento e maturação do indivíduo", avisa Gabriela. Dulce vai além. "Todos nós precisamos de amigos é inerente ao ser humano. Precisamos estar conectados uns aos outros", ressalta.

Amigos sempre

Mesmo uma criança que não é filha única precisa de amiguinhos. A forma como brincam é diferente quando muda a outra parte. Se com os irmãos ela quer ser a filha, com os amiguinhos assume a função de mamãe. Assim, vai aprendendo outras formas de brincar e aumentando suas possibilidades.

O brincar faz parte do mundo real e é nele que as trocas acontecem. No entanto, as crianças sempre arrumam um espacinho para o amigo imaginário. Até aí, tudo bem. Mas nem pense em relaxar só porque o seu filhote arrumou essa "amizade". Ela faz parte da fantasia da criança, mas não pode substituir amigos reais. "O amigo imaginário é algo muito comum de ser ver. É como se ele preenchesse um vazio, uma determinada falta em algum momento significativo para a criança. No entanto, os amigos reais serão sempre necessários", orienta Gabriela.

Apesar das mudanças de interesses, primeiros amiguinhos podem selar uma relação para sempre. "Muitas amizades que se iniciam durante a infância se tornam amizades na vida adulta, afinal são pessoas que se constituíram enquanto pessoas juntas. Dependerá do desejo de ambos em continuar cultivando a relação. Enquanto houver identificação e prazer em estar juntos, nada os impede", finaliza a psicóloga.

As amizades por idades

Até os dois anos acontece o jogo paralelo. As crianças brincam ao lado de outras, mas de forma independente. A partir dos três anos o amigo é uma companhia. Os pequenos começam a escolher os coleguinhas através dos interesses. A brincadeira em dupla vai dando lugar aos pequenos grupos. Apesar da interação, muitas vezes o jogo continua sendo individual, pois as crianças ainda não têm senso de cooperação. Aos poucos vão aceitando a intervenção do outro e intervindo também.

Dos quatro aos seis anos as crianças já começam a se apegar a um amiguinho. No entanto uma separação - mudança de escola, de cidade - não é nada traumática. Até os oito anos já é possível surgir o "melhor amigo". Os laços mais estreitos fazem surgir também os conflitos. É normal. A partir desse ponto, a amizade vai ganhando uma importância fundamental para a vida da criança e a ajudará a criar a própria identidade. A percepção do conceito de amizade vai ficando cada vez mais clara e próxima da que o adulto tem. As crianças já sabem compartilhar, ouvir o outro, percebem que têm com quem contar em momentos bons e maus, compartilhando tristezas e alegrias.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Proteja os bebês com vacinação

Por Carolina Mouta
Matéria para o blog O Baú da Criança
Imagem: Dreamstime



Você, mãe zelosa, fica feliz quando vê preenchido todo o esquema de vacinação do seu bebê. Mas, o que muitas vezes não sabe é que ele não está totalmente protegido. Como assim? - você se pergunta. A resposta é que não adianta imunizar só os pequenos. O espirro, a tosse e, até mesmo, os momentos de carinho dos jovens e adultos da própria família podem oferecer riscos à saúde do bebê. E a única forma de prevenir a doença é a vacinação. Por isso, gente grande também tem que estar com a carteirinha em dia.

Segundo a infectologista do Sabinvacinas, Ana Rosa dos Santos, os recém-nascidos possuem uma janela de vulnerabilidade que as vacinas atuais são incapazes de fechar. “Antes da primeira dose da vacina Tríplice Bacteriana ser efetuada nos primeiros dois meses de vida, o bebê está totalmente exposto à contaminação. Até os 12 meses a criança não está completamente protegida”, explica.

E os números comprovam: mais de 80% dos casos afetaram bebês com menos de seis meses. Por isso o melhor caminho é que todos os adultos que convivem com a criança sejam imunizados. As estatísticas da Sociedade Brasileira de Imunizações dão conta de que cerca de dois terços das infecções ocorrem dentro da família, sendo 50% das vezes contraído da mãe, 20% do pai e 15% de irmãos.


Só no primeiro semestre de 2011, foram registrados 593 casos de coqueluche, número superior às 588 ocorrências observadas em 2010. Os dados são do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. De acordo com o Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo pais e irmãos mais velhos são responsáveis por 67% da transmissão da doença para o recém-nascido. A coqueluche é uma doença altamente infecciosa transmitida pelo ar e provoca tosses contínuas. Um adulto suporta seus efeitos, mas a doença pode ser letal para bebês.


Além da vacina Tríplice Bacteriana, recentemente, foi lançada no Brasil a Adacel Quadra, dose de reforço contra a coqueluche, tétano, difteria e poliomielite inativada (tipos I, II e III). A nova vacina foi desenvolvida para garantir a imunização de adolescentes e adultos, com o objetivo de proteger recém-nascidos da coqueluche. A estratégia, chamada de “Cocoon” (casulo, em inglês), recomenda a vacinação de reforço nas pessoas que têm contato com os bebês.


Mesmo que os adolescentes e adultos tenham sido imunizados quando criança, é preciso renovar a dose pois a durabilidade do efeito é de dez anos. Para a doutora Ana Rosa dos Santos, esse reforço exerce papel fundamental na prevenção da coqueluche. “Além de se protegerem, eles interrompem a cadeia de transmissão da doença”, afirma a infectologista.


A vacina Adacel Quadra pode ser tomada a partir dos três anos de idade, como reforço do esquema primário de imunização, e é recomendada para mães (antes da gravidez ou após o parto), pais e outros membros da família, profissionais da saúde e babás, além de adultos que desejam reforçar sua imunidade contra coqueluche ou poliomielite inativada em decorrência de viagens a países com risco de contaminação.


Muitas vacinas para adultos não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) e é necessário dirigir-se à uma clínica especializada para receber as doses e pagar por elas. Mas vale à pena. É um carinho que toda criança merece. Então, adultos, o que estão esperando? Uma picadinha não vai doer!